Conab estima produção recorde de cana
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quinta-feira, 31 de maio de 2007
Agência Brasil 
Brasília - O Brasil deve colher 528 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2007/2008, com aumento de 11,20% sobre a safra 2006/2007, que terminou em março último, e contabilizou 474,8 milhões de toneladas. A estimativa foi divulgada ontem pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, para quem o crescimento é fruto da incorporação de novas áreas de plantio e da utilização de novas variedades de cana, que alcançam maior produtividade.
Os números são do primeiro levantamento da safra e contabiliza a intenção de plantio no caso da incorporação de novas áreas de pastagens. A pesquisa foi feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no início do mês, junto a 338 usinas/destilarias e 60 entidades de classe, como cooperativas e instituições públicas e privadas.
A pesquisa da Conab detectou que os estados que mais incorporaram áreas ao cultivo de cana-de-açúcar foram Paraná (32,30%), Goiás (22,50%), Minas Gerais (22,10%), Ceará (20%) e Mato Grosso do Sul (18%).
De acordo com o ministro Stephanes, a área plantada cresceu 7,4% em relação à safra anterior, com ganhos de produtividade em torno de 3,5%. Segundo ele, quase 89% da produção esperada serão destinados à produção de 20 bilhões de litros de álcool e de 31,3 milhões de toneladas de açúcar, enquanto o restante será usado no fabrico de cachaça, rapadura, açúcar mascavo, sementes e ração. São estimados aumentos de 14,54% na produção de álcool e de 3,6% na de açúcar em relação à safra anterior.
O ministro da Agricultura disse que o setor sucroalcooleiro está em franca ascensão por causa da forte demanda no mercado interno e externo, decorrente da maior oferta de carros movidos a álcool, principalmente.
A maior parte da produção estimada (461,6 milhões de toneladas, ou 87,4% do total) está concentrada nos estados do Centro-Sul, com destaque para São Paulo, com 309 milhões de toneladas. Os restantes 12,6% da produção serão colhidos no Nordeste.
Preços - A estimativa da safra brasileira de cana-de-açúcar feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com o processamento de 468,2 milhões de toneladas pela indústria, reforça a expectativa de preços baixos do açúcar e do álcool para 2007/2008.
Segundo o consultor Luiz Carlos Correa Carvalho, da Canaplan, ''o ano vai ser terrível para os preços'', já que a produção de álcool será 14,54% maior em um mercado ainda muito dependente do consumo interno, e a produção do açúcar em países exportadores, como a Tailândia e Índia, também será alta.
Carvalho avalia que a expectativa de uma produção brasileira de álcool em 20,01 bilhões de litros só deve ocorrer entre 53% e 54% do destino da cana processada for para a produção do combustível. ''Acho difícil, no entanto, as usinas radicalizarem tanto assim'', concluiu o consultor.
Já a pesquisadora do Cepea/Esalq Marta Cristina Marjotta-Maistro considerou que a estimativa da Conab já era esperada pelo mercado e ratificou que a tendência é de preços baixos para os dois derivados da cana-de-açúcar.
A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) divulgou nota oficial na qual considera ''difícil manifestar-se sobre os números da Conab, por não conhecermos o procedimento do levantamento e da distribuição da cana para açúcar, álcool e outros usos''.
Ainda de acordo com a entidade, os números de produtividade, a oferta de 412,0 milhões de toneladas e produção de açúcar e de álcool para o Centro-Sul ''são números já conhecidos e aceitos pelo mercado. A Unica continua trabalhando com 420,0 milhões de toneladas de cana para o Centro-Sul'', conclui a nota.


