Conab confirma safra recorde de cana-de-açúcar
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília - Números divulgados ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmam a expansão da cultura da cana-de-açúcar no País. De acordo com a segunda estimativa da estatal para a safra 2007/08, a produção nacional será de 547,2 milhões de toneladas, resultado recorde e 15,20% superior à colheita do ciclo anterior, quando a produção foi de 474,8 milhões de toneladas.
Na região Centro-Sul, onde é produzida a maior parte da cana, metade da produção já foi colhida e transformada. Nas demais regiões, a cana está sendo colhida e esmagada. Em relação às regiões Norte e Nordeste, a Conab estimou aumento de 14% na produção para 73,102 milhões de toneladas. ''A boa estação de chuvas nas regiões produtoras favoreceu os canaviais'', disse o presidente da Conab, Wagner Rossi.
De acordo com o levantamento, a área cultivada com cana no País cresceu 12,3% na safra 2007/08 na comparação com o período anterior. A área plantada cresceu de 6,2 milhões de hectares para 6,9 milhões de hectares na safra atual, que começou a ser processada em abril. Segundo Rossi, a expansão dos canaviais ocorreu em todo o País, com destaque para os estados de Minas Gerais (16,8%), São Paulo (11%), Mato Grosso do Sul (32%), Goiás (19%), Mato Grosso (11%) e Paraná (26%).
A Bahia teve o maior incremento na área plantada com cana na safra: 49%, mas a cultura ocupa apenas 105,3 mil hectares no Estado. Em São Paulo, as lavouras de cana ocupam 3,649 milhões de hectares. O levantamento de campo foi feito entre os dias 6 e 17 de agosto.
Eledon Pereira de Oliveira, da gerência de levantamento e avaliação de safra da Conab, disse que a estatal fará um levantamento para saber se a cana tem ocupado áreas que antes eram destinadas ao plantio de grãos. Ele disse que é possível que a cana tenha avançado nas áreas de pastagem, mas não soube quantificar esse movimento. Não foram definidos prazos para conclusão e divulgação do estudo.
Ele lembrou que seis milhões de hectares são destinados ao plantio de cana, contra 22 milhões de hectares ocupados com a soja. E reafirmou que é inviável o plantio de cana na Amazônia, possibilidade muito difundida no mercado externo como forma de dificultar as exportações brasileiras de etanol. ''É inviável a produzir cana na Amazônia, porque os canaviais precisam de tempo seco'', afirmou.
As usinas brasileiras vão esmagar 86,47% da cana que será colhida na safra, o que representa 473,16 milhões de toneladas. Desse total, 46,9% vai para produção de 30 milhões de toneladas de açúcar e 53,1% para a extração de 21,3 bilhões de litros de álcool.
A produção de álcool, segundo a Conab, está assim dividida: 8,6 bilhões para a produção de anidro (que é misturado à gasolina) e 12,7 bilhões de litros de hidratado, que é utilizado nas bombas dos postos. O diretor do departamento de açúcar e álcool do Ministério da Agricultura, Ângelo Bressan, participou da entrevista coletiva para divulgação dos números e disse que o consumo interno de álcool somará 16 bilhões de litros neste ano. ''O mercado está muito ajustado'', afirmou.


