Conab busca recursos para vender safra
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segunda-feira, 16 de março de 1998
Vânia Casado 
O superintendente da Conab-PR, Eugênio Stefanello, vai hoje à Brasília negociar recursos para movimentar a comercialização de algodão no Paraná. Ontem começaram as primeiras ofertas de compra por parte das cooperativas, mas elas estavam oferecendo cotações abaixo do preço mínimo. Stefanello vai pedir ao Ministério da Agricultura a alocação de recursos, dentro da política de preços mínimos, para Aquisição do Governo Federal (AGF), beneficiando os produtores, e Empréstimo do Governo Federal (EGF) para as indústrias.
Stefanello acredita que para o início da colheita são necessários recursos entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões, suficientes para adquirir cerca de 2 mil toneladas de algodão em pluma. Dessa forma, avalia, o governo poderia garantir o pagamento ao produtor do preço mínimo de R$ 7,00 a arroba do algodão em caroço. Segundo o técnico Maurício Lunardon, da Secretaria da Agricultura, o preço médio do algodão que prevalecia ontem no mercado era de R$ 6,61 a arroba.
Segundo Stefanello, a situação dos pequenos agricultores que plantaram algodão no Paraná está ficando crítica. Ele recebeu um documento do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Antonio da Platina, informando que cerca de 150 produtores no Norte Pioneiro estão em situação desesperadora. Eles plantaram, investiram na cultura, estão colhendo com excelente produtividade, em torno de 400 a 500 arrobas por alqueire, e agora não têm para quem vender, disse. As indústrias se recusam a comprar a produção, afirma o presidente do Sindicato, Antonio Simioni.
Para Simioni, se o governo não tomar uma providência urgente, na próxima safra ninguém mais vai querer plantar algodão. E o que é pior, vai agravar o movimento de êxodo rural, já que o pequeno produtor nessa região não tem outra alternativa senão plantar algodão e milho, produtos que não estão oferecendo rentabilidade. Segundo o presidente do Sindicato, de 15% a 20% dos pequenos produtores de sua região estão manifestando a vontade de abandonar o campo e ir para a cidade.
Até agora, os produtores estão colhendo no escuro e não têm dinheiro para continuar a colheita, salientou Simioni. Na região de Santo Antônio da Platina, algumas beneficiadoras estão antecipando dinheiro para continuar a colheita, mas os juros cobrados mensalmente estão acima da capacidade de pagamento dos pequenos produtores, informou.
Para Stefanello, as distorções na comercialização do algodão já eram esperadas desde outubro do ano passado, quando eclodiu a crise dos países asiáticos. Eles são os maiores consumidores do produto e reduziram em 30% as importações. O corte no consumo ocorreu quando a produção mundial está em alta, em torno de 19,9 milhões de toneladas. No ano passado, foram produzidos 19,4 milhões de toneladas. Além da produção mundial, a produção brasileira também cresceu 70% esse ano e a do Paraná, 100%.


