Conab aponta crescimento da safra de café no Paraná
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terça-feira, 13 de setembro de 2011
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem local 
O terceiro levantamento de safra de café do ciclo 2010/11, anunciado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aponta um crescimento de 120 mil sacas no Paraná, se comparado aos dois últimos levantamentos realizados em dezembro de 2010 e abril deste ano. No período, a previsão de produção divulgada pelo órgão no Estado foi de 1,71 milhão de sacas.
Segundo a Conab, o comparativo da estimativa atual com a anterior, divulgada em maio deste ano, revela que somente o Paraná e o Espírito Santo registraram crescimento. Enquanto outros estados brasileiros amargam perdas. O motivo se dá pelas condições climáticas desfavoráveis que vêm atingindo o Brasil desde o começo do ano.
Paulo Franzini, economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), destaca que o Paraná tem feito o dever de casa. Segundo ele, esperava-se nas duas primeiras previsões, uma realizada em dezembro de 2010 e a outra em abril desse ano, uma produção de 1,6 a 1,8 milhões de sacas. ''Agora, a nossa espectativa melhorou, pois a variação passou para 1,7 a 1,9 milhões de sacas'', comemora.
No ano passado, de acordo com o Deral, o Paraná produziu 2,3 milhões de sacas. Se comparado ao atual levantamento, há uma redução de 25,4%. Porém, a diminuição da produção neste ano, segundo Franzini, se dá pela bienalidade da safra cafeeira, que é um fenômeno normal do setor.
Quanto ao crescimento das expectativas de safra, Franzine explica que os dois primeiros levantamentos se deram na florada e formação do fruto. ''Esses dados foram baseados nos produtores, o que muitas vezes não é preciso'', avalia. Segundo o especialista, esse terceiro levantamento, feito com base na produção, aproxima-se mais da realidade.
O economista do Deral completa que o aumento da produtividade das lavouras pananaenses e o favorecimento do clima para a cultura foram os dois fatores que propiciaram esse resultado. Além disso, Franzini reforça que os produtores passaram a investir mais nas lavouras, principalmente em tratos culturais. Esse incentivo, na opinião dele, se deve à melhora nos preços do café. Na semana passada, de acordo com informações do site do Deral, o preço da saca de 60 kg de café beneficiado foi de R$ 448,56, em média.
No Brasil
O terceiro levantamento da produção nacional de café, de acordo com o relatório da Conab, deve ser de 43,15 milhões de sacas. O número é 10,3% (4,94 milhões de sacas) a menos do que na safra anterior. Isso, como já foi explicado, se deve à bienalidade do setor.
Ainda de acordo com o relatório, uma das dificuldades na atual safra é a estiagem que ocorreu em algumas regiões produtoras entre os meses de janeiro e fevereiro. Minas Gerais foi um dos estados prejudicados. Naquela região, segundo a Conab, a seca prejudicou as plantas que se encontravam na fase de enchimento dos frutos. Estima-se uma redução de 446 mil sacas. O fenômeno também ocorreu na Bahia e Rondônia.
Já os estoques privados, segundo o levantamento, obteve um volume total de 9.238.135 sacas de café, índice 3,29% superior ao contabilizado em 2010. O café tipo arábica continua predominante no estoque, com 89,11% do total. A Conab realiza quatro levantamentos por safra. O último acontecerá nos mês de novembro, quando toda a colheita já estiver nos silos.


