Comunidades ganham novas moradias
Eusébio Lima
Especial para a Folha
A vida em barracos cobertos de lona, sem água nem esgoto, era até pouco tempo atrás a realidade para as 22 famílias de pequenos agricultores que vivem na distante comunidade de Posses, município de Quarto Centenário, no Norte do Paraná. Sem saneamento básico, viviam numa espécie de favela no meio rural. As doenças, especialmente nas crianças, eram comuns.
Hoje, a situação é outra. A comunidade recebeu novas casas e instalações sanitárias. É tudo ainda muito simples, mas agora temos o que precisamos para viver bem, diz Josefa Ferreira Alves, que mora na comunidade com o marido, Cícero, e os filhos Dalvânia e Alexandre. O antigo barraco, coberto com uma lona preta, ainda não foi desmanchado. Está ao lado da casa nova, remetendo a memória aos difíceis dias do passado.
Posses é uma das várias comunidades beneficiadas pelo programa Paraná 12 Meses, que tem como uma das prioridades o combate à pobreza no meio rural. O objetivo é melhorar a qualidade de vida de pequenos agricultores, especialmente pelo acesso ao saneamento básico. Este é o princípio básico. Para que o agricultor produza, primeiro precisa ter saúde e o mínimo de conforto para permanecer no campo, diz o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Antonio Poloni.
Executado pela Secretaria da Agricultura, com recursos do Banco Mundial e do governo do Estado, o Paraná 12 Meses já investiu R$ 8 milhões na reforma e construção de novas moradias para as famílias de pequenos agricultores, beneficiando 10 mil famílias, num total de aproximadamente 50 mil pessoas.
Mais saúde - O efeito desse trabalho na melhoria da saúde da população rural é notório, de acordo com o relato dos beneficiados. A maior alegria para nós é ver que as crianças hoje não ficam mais doentes, porque temos água limpa e banheiro dentro de casa, conta o agricultor Adilson Cardoso, da comunidade Rio Quieto, no município de Pitanga, região central do Paraná. Antes, a gente vivia atrás de médico porque as crianças estavam sempre doentes. Agora, isso praticamente acabou, relata.
Com um modelo descentralizado de administração, o Paraná 12 Meses transfere às comunidades a responsabilidade pelo direcionamento dos recursos. São as próprias famílias de agricultores, por intermédio dos conselhos municipais, que elegem as comunidades mais carentes, onde os recursos são mais necessários, explica o secretário Antonio Poloni.
Em um ano de execução, o projeto já conseguiu instalar conselhos em todos os municípios do Estado. Esse modelo de administração tem provado ser eficiente, já que as comunidades, muito mais que os governantes, sabem quais são as suas maiores necessidades, destaca Poloni. A forma descentralizada de aplicação dos recursos e os resultados obtidos, especialmente no que se refere à melhoria da saúde da população rural, têm servido de exemplo para o Banco Mundial. Missões técnicas do banco têm frequentemente visitado o Estado e as comunidades atendidas.
Combate ao êxodo - Na maioria das comunidades beneficiadas, o acesso à moradia de melhor qualidade e ao saneamento básico, com instalação de redes de água e esgoto, tem contribuído para evitar o êxodo rural. Ernestina Pereira, que vive com o marido e o filho na comunidade Placa União, em Peabiru, no Noroeste do Paraná, diz que se esse trabalho tivesse sido feito há uns 10 anos, muitos de seus vizinhos não teriam ido embora tentar a vida na cidade. Conheço muita gente que morava aqui e abandonou a terra porque não suportava viver sem condição, conta.
O projeto Paraná 12 Meses investe também em atividades de geração de renda, fomentando a produção do pequeno agricultor. A ação junto às comunidades pobres associa a melhoria da qualidade de vida ao desenvolvimento de atividades agropecuárias para garantir a sustentabilidade das famílias, explica o engenheiro agrônomo Humberto Malucelli Neto, gerente do projeto.
Até agora, o Paraná 12 Meses já investiu R$ 70 milhões, beneficiando 30 mil famílias de pequenos agricultores. O orçamento total do projeto é de US$ 350 milhões para aplicação em cinco anos, com recursos do Banco Mundial e contrapartida do governo do Estado. No total, serão atendidas 255 mil famílias.São casas simples, mas contam com saneamento básico e o mínimo de conforto. Muito diferentes dos barracos de lona
ADEUS AO BARRACODona Josefa e os filhos Dalvânia e Alexandre, na casa de madeira. Família de Quarto Centenário, atendida pelo Paraná 12 meses. Barraco de lona nunca mais





