Curitiba - Curvas e mais curvas ao longo de uma estrada de terra de 15 quilômetros, transitável apenas quando não chove. Esse é o caminho que separa a comunidade Castelhanos, que fica no meio de um morro de mata atlântica ao nível do mar em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), do centro urbano. Apesar de ser uma região de muitas belezas naturais, a economia local sofre com o isolamento. Depois de anos, a superação desta barreira está começando somente agora com informação, incentivo e união. Depois de receber orientação e ajuda da prefeitura, alguns membros da comunidade de 72 famílias resolveram aproveitar as matérias-primas que a mata oferece para produzir artesanato. É o começo da cooperativa Coocastel.
A principal fonte de renda da população do Castelhanos sempre foi a venda de bananas. Entretanto, em algumas épocas, como no verão, o quilo da banana vale apenas poucos centavos. A venda não cobre nem a dificuldade de transporte. Já o resto das bananeiras, como a fibra, era jogado fora. E justamente aí está hoje o que promete ser mais uma fonte de renda destas famílias. Com um pouco de informação trazida por especialistas algumas mulheres da comunidade começaram a fabricar bolsas e bijuterias. ''No começo as fibras de bananeira emboloravam porque aqui é muito úmido. Daí aprendemos como lidar'', contou a produtora rural Elizabete de Lima Lamberg.
Diante do potencial da comunidade, a prefeitura de São José dos Pinhais oferceu uma verba de R$ 80 mil, que precisava ser aplicada em algum projeto, para formar a Coocastel. Incentivo foi o que bastou. A cooperativa vai incrementar a produção, beneficiamento e venda de bananas e fomentar o artesanato, além de tirar os atravessadores do caminho dos produtores. Com o dinheiro serão construídos um barracão com uma estufa e uma cozinha industrial e a prefeitura está estudando o fornecimento de auxílio técnico por um ano. E as artesãs têm muito a aprender. Um exemplo: recentemente descobriram que usar sementes de algumas frutas e flores locais é mais bonito e mais barato do que usar botões industriais nas peças.
''Eu faço as peças no tempo vago. Mas agora a gente vai ter que se organizar e achar tempo para produzir mais'', afirmou Elizabete que a noite trabalha à luz de velas. ''Na cooperativa vai ter uma sala só para o artesanato'', comemorou. A produção de artesanato começou com 24 mulheres no início do ano, que produziam pouco por falta de tempo. O material foi vendido em feiras e na Boutique Solidária. Agora são 12 artesãs. Por enquanto a Cooscatel possui 21 membros. E o começo não foi fácil. Os organizadores chegaram a passar de casa em casa nas primeiras reuniões e cursos de capacitação ministrados pela prefeitura para chamar as pessoas.
A dificuldade de transporte não deve mudar muito, já que a estrada vai permanecer a mesma. Mas, com a Coocastel, os produtores terão uma estrutura mais regular para levar os produtos. E também um incentivo econômico já que a produção será maior. O presidente da cooperativa, João Luiz Mikosz, está otimista com o início do trabalho no sistema cooperado e reforça a importância do incentivo. ''Se a prefeitura não viesse continuaríamos na mesma.''

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