O mercado financeiro reagiu bem ao anúncio do comunicado conjunto de entendimento entre o FMI e o Brasil feito pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. A Bolsa de Valores de São Paulo, que caía 4,51%, se recuperou e conseguiu ainda fechar o dia em alta de 0,30%.
Os títulos da dívida externa brasileira renegociada também tiveram alta em suas cotações. O C-bond, o mais negociado, fechou com preço de 61,5% do valor de face, contra 60,25% ontem. ‘‘O mercado já sabia tudo o que foi dito pelo ministro. Mas a confirmação oficial de que o FMI vai realizar uma ajuda preventiva e não vai exigir uma mudança na política de desvalorização do real trouxe tranquilidade em um dia de muita tensão’’, disse o economista Manuel Maceira.
Pela manhã, os mercados tiveram um dia de pânico, com boatos de que o fundo de alto risco Tiger, sediado em Nova York, estaria em dificuldades financeiras e teria de liquidar parte dos US$ 40 bilhões que administra. Os boatos ganharam força depois que o fundo saiu vendendo dólares no mercado internacional. As cotações da moeda norte-americana despencaram, chegando a 111 ienes, o menor patamar desde 1971. A Bolsa de Tóquio caiu 5,78% e a de Londres, 2,69%.
Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos que o Tiger possuía tiveram alta em seus juros, de 4,86% ao ano anteontem para 5,01%, ontem. A Bolsa de Valores de Nova York chegou a registrar um tombo de 3,5% às 13h25. A redução nas taxas de juros da Inglaterra, de 0,25 ponto percentual, não trouxe otimismo. O mercado esperava mais. O índice Dow Jones chegou a cair 274 pontos. O Dow Jones reúne as 30 ações mais negociadas no mercado. A queda representa um recuo de 0,18%.
O índice Nasdaq, de Nova York, que reúne as ações de alta tecnologia, chegou a cair 7%. Segundo analista de banco estrangeiro, o mercado internacional está tão tenso e volátil que parece o mercado brasileiro.
EvasãoO volume de saída de dólares do Brasil voltou a crescer ontem. Até as 19h30, haviam deixado o País US$ 330 milhões pelo mercado de dólar comercial e US$ 137 milhões pelo mercado de dólar flutuante (um segmento do dólar turismo). O total: US$ 467 milhões. O mercado de câmbio fecha às 21h30. Anteontem, haviam deixado o país US$ 191 milhões.
Após a moratória da Rússia, em agosto, o Brasil passou a viver uma sangria. Saíram US$ 12 bilhões em agosto e US$ 18,77 bilhões em setembro. Neste mês, graças aos dólares da belga Tractebel, que comprou a Gerasul, e das compradoras da Telebrás, o saldo de recursos externos está positivo em US$ 1,2 bilhão.Henny Abrams/France PresseInstabilidade em Nova York: negociação freou ritmo de quedaAgência Folha

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