Comunicações aumentaram mais do que comida
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sábado, 28 de junho de 2008
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
A inflação que começa aparecer no custo de vida dos brasileiros se deve aos preços administrados pelo governo federal, e não apenas ao aumento no preço dos alimentos. A afirmação é da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Um estudo feito pela entidade empresarial demonstrou que a inflação acumulada desde 1994 foi da ordem de 225,25%, contra 147% de aumento de preços nos alimentos e bebidas no mesmo período. A telefonia e os correios, que têm seus preços monitorados pelo governo federal, são os recordistas de reajuste acima da inflação, contabilizando 660% no mesmo período.
O economista da Faep, Pedro Loyola, argumenta que os sete primeiros vilões que empurraram o custo de vida para cima são de responsabilidade do governo federal. Os alimentos estão em último lugar na composição inflacionária (veja quadro). Dentro dos itens alimentos, só os produtos panificados tiveram um aumento de 240,02% no mesmo período. Além destes, cereais, legumes, feijão, soja, milho e arroz também avançaram para 232,17%.
Loyola argumenta que os preços precisam ser avaliados no longo prazo, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficando claro que outros setores da economia têm maior impacto no aumento do custo de vida do brasileiro. Os combustíveis domésticos, por exemplo, como gás de botijão e encanados chegaram a 639,51%. O transporte público aumentou em 459,47%.
O economista destaca que a saca de sementes de soja de 50 quilos subiu 30% entre 2007 e 2008. Já a mesma saca de semente de trigo subiu 14%. O preço de rações para animais tiveram aumento entre 20% e 29%.
O salário dos trabalhadores rurais também ajudou na composição da inflação nos alimentos. Entre 2003 e 2008, os salários saíram de R$ 240,00 para R$ 415,00, representando uma variação para cima de 72,92%. No Paraná, o reajuste salarial foi maior para o mesmo período, registrando 128%.
Outro componente que também empurrou o preço dos alimentos desde 1994, segundo o estudo, foi a falta de infra-estrutura para o transporte da safra. Os EUA, por exemplo, gastam 57% menos que o Brasil para transportar a safra da lavoura para os portos, devido 66% do transporte ser feito por hidrovias. No Brasil, o transporte da safra é feito pelo transporte rodoviário, aumentando com isso o custo da produção agrícola.


