Dois meses após o lançamento do programa do Governo Federal ''Computador para Todos'', cujo objetivo é contribuir para a inserção digital da população e facilitar a compra de equipamentos básicos para famílias de baixa renda, a procura por financiamento ainda é pequena.
A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil têm crédito ''ilimitado'' para as operações de empréstimos para a compra do equipamento popular e esperam que a partir deste mês a demanda aumente. No lançamento do programa, em novembro, o Governo havia disponibilizado R$ 30 milhões no total. A expectativa das instituições para liberação de crédito em 2006, por sua vez, está ligada às campanhas publicitárias por parte do Governo para apresentar o programa à população.
Os bancos oficiais estão autorizados a financiar a compra de microcumputadores até o valor de R$ 1,2 mil, com taxas de juros de 2% ao mês e prazo de 24 meses. O equipamento deve custar no máximo R$ 1,4 mil. ''Essa operação é considerada popular por conta da taxa de juro mais baixa. A procura tem sido pequena, a população ainda não conhece esse programa'', disse Wilson Sfeir, gerente de mercado da Caixa em Londrina.
Segundo ele, essa operação é bastante vantajosa para a população de baixa renda, já que as taxas de juros do banco para finaciamentos de computadores fora do programa tem girado em torno de 4%. Outro ponto positivo é que, apesar de ser um programa popular, não há limite máximo de renda: qualquer pessoa pode adquirir um computador.
Nos meses de novembro e dezembro a instituição liberou perto de R$ 60 mil, o que significou a compra de cerca de 45 computadores. A expectativa do banco para este ano, conforme Sfeir, depende de como a população vai conhecer o programa. ''Não há limites de crédito, tudo vai depender da demanda'', avisou Sfeir.
O gerente da Caixa informou que até agora o empréstimo tem sido muito procurado por estudantes. Além da taxa de juros, os interessados têm que arcar com as despesas de abertura de crédito no valor de R$ 40.
Para o gerente regional do BB em Londrina, Júlio César Baptista, a partir deste mês a procura deve aumentar. ''As campanhas de divulgação do Governo estão sendo feitas agora. Nós estamos apostando bastante nesse programa'', ressaltou. No BB, a taxa de abertura de conta, obrigatória para realizar o empréstimo, fica em R$ 15.
Na opinião do economista Vanderlei Sereia, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), essa é uma ótima oportunidade para as pessoas que não têm muita condição financeira fazer parte do mundo digital. ''Dificilmente vai se encontrar instituições com planos tão longos'', disse Sereia.
Entretanto, há alguns entraves. Para ele, as taxas de juros não são tão baixas. ''Taxa de juros de 2% ao mês é alta para um programa popular. Ao final de um ano isso chega a 26,8%'', destacou. Sereia sugeriu que os juros, nesses tipos de empréstimo, pelo menos empatasse com os juros de captação, que gira em torno de 1,5% ao mês no máximo. ''Na melhor das aplicações financeiras, o investidor só vai ganhar 26% ao ano, se for uma operação de risco'', salientou.

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