Em abril 1998, durante a 2ª reunião de cúpula das Américas, em Santiago do Chile, os então presidentes, chefes de Estado e primeiros-ministros dos 34 países que devem fazer parte da futura Área de Livre Comércio das Américas (Alca) se comprometeram a investir US$ 8,32 bilhões em educação até o final deste ano. De acordo com dados de várias entidades e organismos como a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), essas nações não desembolsaram sequer metade dessa cifra para a área de educação.
Exatamente três anos depois desse encontro, no qual o ex-presidente Bill Clinton – um dos artífices em lançar a Alca em dezembro de 1994 – esteve presente, os líderes desses mesmos países do Hemisfério Ocidental, exceto Cuba, se preparam para assinar outra declaração final, a de Quebec, que, de acordo com o documento dos ministros de Comércio e de Relações Exteriores, assinado em Buenos Aires no início de abril, pode proclamar o Século 21 como o ‘‘Século das Américas’’.
Nesse documento, as 34 nações vão se comprometer a cumprir, a partir deste domingo, prazos e cronogramas que deverão dar início, a mais tardar em dezembro de 2005, a uma zona de livre comércio de mais de 800 milhões de habitantes, um Produto Interno Bruto (PIB) que supera os US$ 12 trilhões e um comércio exterior que se aproxima de US$ 2 trilhões.
Os mais céticos, no entanto, acreditam que a Declaração de Quebec será mais uma das tantas retóricas que foram assinadas desde o Século 19, quando o então secretário de Estado dos Estados Unidos, James Blaine, proclamou o ‘‘nascimento de um novo pan-americanismo’’, em 1889 . Esses observadores tomam como base para seu ceticismo justamente as promessas dos líderes durante a Cúpula de Santiago e que não foram cumpridas até agora. ‘‘Comprometemo-nos a facilitar o acesso à pré-escola, à educação primária, secundária e superior a todos os habitantes das Américas, e faremos da aprendizagem um processo permanente’’, dizia a Declaração de Santiago.

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