Brasília – Refeitas as estimativas, o governo e o Fundo Monetário Internacional (FMI) estão mais otimistas em relação ao desempenho da balança comercial e prevêem um superávit de US$ 6 bilhões para este ano. Até agora, a expectativa do governo era de chegar ao fim do ano com saldo positivo de US$ 5 bilhões na balança comercial. A nova previsão consta do memorando de política econômica da primeira revisão do acordo que foi assinado pelo Brasil com o Fundo em setembro para ajudar o País a enfrentar os impactos da crise argentina e a alta do dólar.
Os termos da revisão foram aprovados anteontem pela diretoria do Fundo e divulgados ontem pelo Ministério da Fazenda. O documento prevê também que a inflação este ano deverá ficar ‘‘ligeiramente acima de 3,5%’’, que é o núcleo da meta fixa pelo Banco Central para 2002. E, para que a inflação não extrapole os limites da meta, como ocorreu no ano passado, o memorando assegura que ‘‘o Banco Central está preparado para endurecer a política monetária, se necessário’’, o que significa que, se os índices de inflação se distanciarem das previsões, o BC voltará a aumentar os juros.
Em relação à nova projeção para o saldo comercial, o documento explica que ‘‘a taxa de câmbio real depreciada já vem estimulando a melhora do saldo da balança, compensando parcialmente um crescimento menos intenso da demanda interna’’. A nova projeção reafirma a confiança do governo de que a trajetória é de aumento das exportações e queda das importações.
Na segunda-feira, porém, a divulgação de um déficit de US$ 258 milhões para a terceira semana do mês trouxe preocupação para o mercado financeiro com o desempenho futuro da balança porque o resultado foi causado pelo aumento das importações. O documento aprovado pelo FMI prevê que as importações vão recuar 2%, mas as exportações terão crescimento de 6%, inferior aos 10% previstos no fechamento do acordo.
Ao mesmo tempo, a previsão era de que as importações cresceriam cerca de 7%, o que resultaria no saldo comercial de US$ 2 bilhões para o ano. A nova previsão para o saldo da balança já considera uma demanda internacional mais fraca. Mas tem como aspectos positivos o impacto defasado da desvalorização cambial de 2001 e a demanda interna mais fraca.
Com a melhora do resultado da balança, o governo e o FMI também fizeram uma nova projeção para o déficit em transações correntes, que, segundo o documento, será pouco inferior a US$ 20 bilhões quando a projeção anterior era de US$ 24,5 bilhões. Apesar da melhora das provisões para as contas externas, o governo e o Fundo foram conservadores nas estimativas para o ingresso de investimentos diretos no País este ano, que deverão ficar, segundo o documento, em US$ 16 bilhões. A projeção é mais cautelosa que o cálculo do Banco Central que havia previsto que estes investimentos chegarão a US$ 18 bilhões.

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