Curitiba - A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de subir os juros (Selic) para 11,25% ao ano foi coerente de acordo com o modelo de combate à inflação do País, mas ao mesmo tempo equivocada. Isso porque a economia precisa de meta de crescimento e não de inflação. A alta dos juros deve respingar no consumidor final que vai pagar mais caro para comprar a prazo. A dica agora é tentar evitar ao máximo as compras parceladas.
A previsão é que o Banco Central continue aumentando os juros. O ponto de vista é do presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e coordenador do curso de Economia da FAE, Gilmar Mendes Lourenço. Ele acredita que, como há previsão de novos aumentos da Selic, os bancos e as financeiras devem se antecipar às decisões do Copom aumentando as taxas antes mesmo que o Banco Central anuncie novas medidas.
Lourenço lembrou que o nível de endividamento dos brasileiros está no limite. Por isso, a dica dele é que o consumidor agora ''tire o pé do acelerador e compre só o essencial''. Ele recomenda que as compras sejam feitas à vista e com pechincha. Caso haja a necessidade de comprar a prazo, a dica é fazer uma pesquisa criteriosa do preço do produto e do custo financeiro que ele terá, ou seja, procurar a menor taxa de juros. ''O consumidor terá que tomar a decisão de consumo levando em conta a necessidade e não a simples satisfação de um desejo'', disse.
Para este ano, a previsão a meta de inflação é de 4,5% e, em 2010, fechou em 5,9%. ''Sempre que a inflação ameaça sair da meta, o governo aumenta os juros'', disse. ''Essa receita é adequada para uma inflação de demanda, mas não para a inflação importada que vem dos alimentos e das commodities. Para isso a taxa de juros não resolve e sim o aumento de produção'', destacou.
Para ele, exitem outras formas de controlar a inflação. Há a necessidade de o País crescer, diminuir os juros para aumentar o consumo e os investimentos. Lourenço defende que as taxas inflacionárias são combatidas com o aumento da produção, o que leva a um menor custo médio de produção. Desta forma, maior é a possibilidade de transferir esse custo mais baixo para o preço final, gerando menos inflação.
Um levantamento realizado pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) apontou que a taxa média de juros praticada pelo mercado para pessoa física deve passar de 9,64% para 9,68% o que representa uma variação de 0,41%. O grande problema é que, ao ano, essas taxas saltam de 201,74% para 203,06%. Os maiores juros anuais ainda são do cartão de crédito (239,77%), do empréstimo pessoal financeiras (203,06%) e do cheque especial (141,12%).
Indústria e agronegócio
O aumento dos juros deve diminuir a velocidade de crescimento da economia. Essa medida do Banco Central vai alterar a programação de produção das indústrias. O chefe do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Faep), Maurílio Schmitt, disse que as indústrias terão que reprogramar a produção. ''As empresas que programaram investimentos vão rever'', prevê.
O assessor técnico econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, disse que o custo de industrialização e produção ficará mais caro. ''Enquanto o governo federal não reduziu o seu custo, o Banco Central tem que tomar este tipo de medida'', afirmou. Ele acredita que a elevação dos juros vai aumentar o custo de produção da agricultura e do agronegócio.

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