Vânia Casado
De Curitiba
O efeito pesquisa foi imediato. Depois que FHC entrou em queda livre nas pesquisas de opinião, o governo federal entrou agressivo na compra de feijão, arroz e farinha de mandioca e reativou o abastecimento de cestas básicas para o Nordeste. A entrada do governo no mercado, através dos leilões realizados nas Bolsas de Mercadorias enxugou a oferta desses produtos com impacto nos preços do varejo nos próximos dias.
No leilão realizado na quinta-feira, dia 30, a Conab comprou 10 mil t de feijão carioca por R$ 27,00 o fardo (30 kg). Ontem, comprou 5 mil t de arroz agulhinha e 3 mil t de farinha de mandioca. Já está programado mais um leilão para compra de feijão no próximo dia 5, terça-feira, quando deverá adquirir mais 8 mil t de feijão. Os volumes maiores de produtos estão sendo enviados para os estados do Nordeste.
O ingresso do governo no mercado surpreendeu os corretores que estavam afastados com a ausência da Conab nas compras. A falta de compras de produtos como o feijão foi uma das causas da queda no preço do feijão, situação que vigorou até o início de agosto. Naquela época o governo tentou comprar o produto, mas o mercado estava em baixa e a Conab queria comprar o feijão por 18,00 o fardo (30 quilos). ‘‘Como o preço ofertado era muito barato, em torno de R$ 0,60/kg, ninguém quis vender ao governo’’, disse o corretor Cicero Malucelli.
Agora, elevou a cotação de forma agressiva para ser bem sucedido nos pregões, avaliou o corretor. Malucelli disse que as informações que circulam é que o governo ainda vai comprar bastante feijão. Com isso, ele acredita que a oferta de feijão da Bahia, responsável pela estabilização do mercado, poderá ser enxugada, provocando uma reação em outubro, período tradicional de entressafra. Há um mês a saca de feijão carioca está estabilizada em torno de R$ 40,00, produto de boa qualidade.
No leilão marcado para o dia 5, a Conab já estipulou que vai comprar 1.200 toneladas de feijão para a Bahia, 600 t para Pernambuco, 700 t para o Ceará, 880t para Minas, 504 t para o Rio de Janeiro, 495 t para o Paraná, 487 t para o Piaui, 418 t para a Paraíba, 277 t para o Mato Grosso do Sul, 247 t para o Pará, 387 t para o Rio Grande do Sul, 37 t para o Acre, 100 t para o Amazonas, 350 t para São Paulo, 86 t para o Tocantins, 160 t para o Sergipe, 170 t para Santa Catarina, 112 t para Rondônia, 250 t para o Rio Grande do Norte.
No leilão de arroz, a Conab ofertou a compra por R$ 0,55 o quilo, mas o produto acabou sendo comercializado em média por R$ 0,50 o quilo.

mockup