Compras de milho começam em março
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terça-feira, 18 de fevereiro de 1997
Elvira Fantin Sucursal de Curitiba 
O governo inicia na primeira semana de março o programa de leilões de contratos de opção para a venda de milho. O anúncio foi feito ontem, em Curitiba, pelo coordenador de política agrícola do Ministério da Agricultura, Célio Porto. Ele participou do Fórum de Mercado promovido pela Bolsa de Mercadorias e pela Organização e Sindicato das Cooperativas do Paraná (Ocepar). A data exata do leilão será definida nos próximos dias e o edital de convocação será publicado na próxima semana em Diário Oficial.
O contrato de opção é a venda antecipada em leilão do direito de entregar mais tarde o produto ao governo pelo preço de exercício (preço mínimo somado ao custo de armazenagem e aos juros de mercado). Trata-se de um seguro de preço, onde o produtor compra o direito de vender o produto ao governo caso não consiga no mercado condições melhores de comercialização, esclarece Célio Porto.
Segundo ele, o governo pretende comercializar este ano 2,5 milhões de toneladas de milho através do contrato de opção, que é o novo mecanismo de venda criado para esta safra. Este é o volume estabelecido como limite. Poderemos vender menos se o mercado reagir e o preço ficar acima do mínimo, esclarece. Porto garante, porém, que enquanto o preço estiver abaixo do mínimo estabelecido pelo governo, que é de R$ 6,70 pela saca de 60 quilos, continuará havendo leilões de contrato de opção.
Além disso, segundo ele, o governo pretende retirar do mercado mais 5,5 milhões de toneladas através de outras formas de comercialização, como EGF para indústria, Pronaf, AGF seletivo para pequenos produtores e leilões de prêmios para o escoamento da produção (PEP). Com isso, 7 milhões de toneladas serão retiradas do mercado, o que representa 30% da produção de milho comercial, que é estimada em 24 milhões de toneladas, informa Porto. Segundo ele, a expectativa é que com esta parcela da produção fora do mercado a oferta fique mais ajustada à demanda e os preços reajam.
Na avaliação de Célio Porto, o contrato de opção é uma forma moderna de comercialização e que marca a diminuição da intervenção direta do governo no setor. Ele explicou que o mecanismo será sempre usado quando os mecanismos tradicionais de política agrícola não forem suficientes para a sustentação do preço mínimo. O mais interessante é que o contrato de opção como o próprio nome diz é opcional, ou seja, o produtor não se obriga a entregar a produção ao governo. De acordo com o coordenador de política agrícola do Ministério da Agricultura, o CMN autorizou a operacionalização dos contratos de opção para milho, arroz, trigo e algodão em pluma. Apesar disso, o governo vai dar prioridade à comercialização do milho, que é o produto com mais dificuldade de mercado hoje. Os negócios com milho estão sendo fechados na faixa de R$ 6,00 pela saca de 60 quilos, enquanto o preço mínimo é de R$ 6,70.


