O governo lançou ontem o Programa de Reativação da Indústria Naval, em meio a advertências de que não será tolerada a repetição de falhas do setor ocorridas no passado. ‘‘Não pode haver corrupção, incompetência, complacência com o erro’’, avisou o presidente Fernando Henrique Cardoso, no terminal da Petrobras, em Angra dos Reis. ‘‘Temos trabalhadores competentes, engenheiros competentes e espero que tenhamos empresários competentes’’, discursou.
A Petrobras anunciou oficialmente a abertura de concorrência para a construção de quatro petroleiros (dois de 60 toneladas e dois de 140 toneladas) em estaleiros brasileiros, com um investimento total de US$ 160 milhões. Participam da licitação os estaleiros Mauá-Jurong (Niterói), Verolme-Fels (Angra dos Reis) e Eisa (Rio de Janeiro).
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, disse que o ‘‘governo sozinho não resolverá a questão da construção e da armação naval.’’ Padilha informou que o governo buscou padrões internacionais de condições de volume e prazo de financiamento e que, em contrapartida, exigirá da indústria naval brasileira o melhor rendimento e competitividade.
O presidente Fernando Henrique Cardoso lembrou que, nos anos 80, o Congresso Nacional investigou vários casos de desvios de verbas do Fundo de Marinha Mercante (FMM). ‘‘Tivemos uma boa indústria naval, mas jogamos fora muita coisa, houve desperdício, houve corrupção, houve incompetência. Hoje as chances se abrem, mas em outro sentido’’, disse o presidente.
A encomenda da Petrobras só foi possível devido às novas regras para a utilização dos recursos do FMM. Os juros para este fundo foram reduzidos de 6% para 4%, o prazo dos financiamentos foi estendido de 15 anos para 20 anos e o porcentual máximo de participação nos projetos foi elevado de 85% para 90%. ‘‘Estas condições colocam o Brasil em condições de competir internacionalmente no mercado da construção naval’’, disse o presidente do Sindicato Nacional da Indústria Naval, Omar Peres.
Segundo o presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, a empresa, que há 15 anos não fazia encomendas à indústria naval brasileira, pretende comprar mais do setor. ‘‘Queremos, dentro de nossas possibilidades, contribuir para o desenvolvimento da indústria nacional. Vamos fazer encomendas de estaleiros brasileiros desde que tenhamos condições de qualidade, custos e prazos compatíveis com o dos nossos concorrentes internacionais.’’

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