Compras coletivas podem se transformar em marketing negativo
Quem está inserido no ambiente da internet sabe. A velocidade com que as coisas acontecem é enorme. Um ano é quase uma eternidade. E está fazendo pouco mais de um ano do aparecimento da onda da compra coletiva. Uma das primeiras empresas a oferecerem o serviço de intermediação das ofertas coletivas foi a Peixe Urbano. Depois vieram Click On, Clube Urbano, Imperdível, Oferta Única, Goupalia, Groupon, entre outras. Hoje são mais de 700 sites. Somados a sites que usam o sistema de clube de descontos, o número salta para mais de 8 mil.
Estes sites oferecem descontos de até 90% na compra de produtos e serviços. Parece mágica, mas esta mágica está dando dor de cabeça para muitos clientes atraídos pelas promoções. E o pior: empresas que imaginavam ser uma ótima estratégia de marketing para atrair e fidelizar novos clientes estão percebendo que, em muitos casos, ocorre exatamente o contrário.
''Nós temos orientado os empresários que vendem serviços e produtos, através das compras coletivas, para que façam uma avaliação criteriosa para saber se realmente a empresa dele será beneficiada. A vantagem desse sistema é que, às vezes a empresa tem produtos em estoque e precisa fazer girar rapidamente a mercadoria. O sistema também é usado para atrair novos clientes e fazer a empresa ser conhecida. Só que o empresário tem que entender que o cliente que é atraído pelas compras coletivas precisa ter o mesmo tratamento do cliente normal. Sem preconceito. Caso contrário, a imagem da empresa fica arranhada e ele pode perder outros clientes'', diz o presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Odetto Esquiante.
O site Reclame Aqui, especializado em receber denúncias de internautas contra empresas, já registrou, desde julho de 2010, mais de 4 mil reclamações contra os sites e empresas que oferecem os serviços. Os consumidores reclamam que muitas ofertas são mal explicadas, de atrasos na entrega e até discriminação.
Em Londrina, segundo Marcelo Esquiante, várias pessoas estão reclamando da discriminação ocorrida em restaurantes e outros fornecedores de serviços. ''A pessoa chega com o cupom do desconto e o garçom trata com diferença o cliente porque ele veio através da compra coletiva. A mulher vai ao cabeleireiro e não recebe o tratamento adequado. Já ouvi vários casos como esses de pessoas que frequentam o Sescap-Ldr. Isto é muito ruim para as empresas porque o cliente que não recebe o tratamento correto espalha a informação fazendo propaganda negativa contra a empresa. Isto tem ocorrido com frequência'', diz Esquiante.
O diretor do Reclame Aqui, Mauricio Vargas, disse ao jornal Metro, de São Paulo, que os fornecedores também são alvo de queixas por não haver preparo para atender à demanda de cupons, ou seja, vendem mais do que podem.
Claro, muitos dos milhões de participantes das compras coletivas até hoje no Brasil devem ter saído satisfeitos, mas é bom tomar alguns cuidados: segundo Mariana Alves, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), vale checar se o site de compra coletiva fornece CNPJ, endereço e telefone, além de salvar a página da oferta e da confirmação da compra. E, claro, sempre checar os termos da oferta e o prazo dos cupons, evitando compras por impulso - dependendo do caso, nem vale a pena participar de uma promoção.
É o que aconteceu com o designer de Londrina, Luciano Muniz. Ele queria fazer atividade física em uma academia de musculação. Aproveitou uma compra coletiva e, por R$ 20,00 de mensalidade, se inscreveu através das compras coletivas. Só aí descobriu que a academia ficava muito distante de sua casa e o custo de deslocamento somado à mensalidade, seria maior do que frequentar uma outra mais perto de sua residência.
Fonte: Sescap-Ldr - Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina





