O comércio eletrônico de moda está em alta há muito tempo em países da Europa e nos Estados Unidos, afirma Thiago Zutter, coordenador de e-commerce da catarinense Posthaus.com. "Aqui demorou um pouco para se desenvolver, não só pelo consumo, mas também pela quebra de paradigma que é comprar roupas pela internet." Para oferecer conforto na hora de escolher um produto tangível em uma ferramenta totalmente virtual, a empresa adota práticas como oferecer informações detalhadas do produto, como tipo de tecido e medidas, fotos e até vídeos com sugestão de combinações e dicas de moda. "É uma ferramenta que a internet permite", diz Zutter, sobre a possibilidade multimídia da web.

Hoje, a loja virtual multimarcas está entre as três maiores do sul do Brasil e entre as dez maiores do País. Acumula crescimento de 80% pelo segundo ano consecutivo, acima da média do comércio eletrônico em geral, que é de 20% ao ano, em um momento que a empresa se diz "estabilizada". A Posthaus.com atua há sete anos. "O segmento como um todo vem crescendo. É uma categoria em que muitos fazem a sua primeira compra on-line, porque o ticket médio é menor. A classe C está forte e a expansão da internet está sendo rápida."

O decreto 7962/2013, publicado em março pelo governo federal com regras específicas para o e-commerce, beneficiou o consumidor de roupas. A troca, ou o direito de arrependimento, foi reforçada como obrigatória. Os lojistas tiveram que disponibilizar um meio de o cliente manifestar seu arrependimento pelo mesmo canal onde fizeram a compra, ou seja, a web. Um obstáculo aos lojistas, porém, ainda está no alto custo da logística no Brasil, opina Zutter. Isto, segundo ele, faz com que empresas do porte da Posthaus.com não consigam oferecer trocas com frete grátis, concorrendo com as que conseguem.

A Lets, loja virtual multimarcas que está há um ano no mercado de e-commerce brasileiro, vai até a casa do cliente buscar o produto comprado se houver necessidade de troca - caso a compra exceda o valor de R$ 300, a troca é realizada sem custos ao consumidor. A empresa cresce cerca de 30% ao mês. "O Brasil é muito grande, e tem ofertas que não chegam a todos os lugares do País", comenta Paola Haidar, diretora comercial da empresa de São Paulo, sobre o crescimento do e-commerce de moda. "A internet tem um sortimento maior", constata, acrescentando que nas grandes cidades a otimização do tempo é o grande trunfo do comércio eletrônico. Para ela, a web ainda traz a vantagem de oferecer conteúdo casado com os produtos, como os vídeos. "O vídeo é 100% real. Não tem como corrigir um vídeo. Isso ajuda muito na venda."(M.F.C.)

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