Será que o conceito de ‘‘xepa’’ ainda pode ser aplicado nos dias hoje? Pelo menos nas feiras livres do centro de Londrina, tudo indica que esta alternativa de compras não existe mais. Há sim pessoas que fazem compras no final da feira, mas por opção e não ‘‘por necessidade’’.
  A palavra xepa soa como pejorativo, passa a idéia de resto mesmo. O dicionário Aurélio tem a seguinte definição: ‘Às últimas mercadorias vendidas nas feiras livres, mais baratas e de qualidade inferior’’ ou ‘‘sobras de verduras e outros alimentos perecíveis...’’. Mesmo com esta fama, foi tema de uma novela na década de 1980. As pessoas de meia idade devem se lembrar do romântico folhetim ‘‘Dona Xepa’’.
  O conceito pode ter mudado, mas as mercadorias continuam a sobrar quando a feira termina. A diferença é que hoje os comerciantes recolhem os produtos para a feira do dia seguinte, destinados a consumidores ‘‘menos exigentes’’.
  Com a temperatura chegando aos 30 graus em alguns horários, há feirantes que encerram suas atividades minutos antes das 11 horas, quando o movimento de compradores é baixo e o sol ‘‘castiga’’. Outros feirantes usam um spray com água para manter a vivacidade das frutas, legumes e verduras.
  O feirante Antônio Otaviano, que está no ramo há 20 anos, diz que não há mudanças de preços entre o começo e o fim da feira: ‘‘A gente não tem como diminuir porque a venda é pouca; se a gente vendesse bastante, no final da feira a gente arrematava’’. Segundo ele, nas feiras do centro ‘‘o freguês procura uma mercadoria de melhor qualidade e não importa o preço’’.
  O feirante Luciano Pantarollo, por sua vez, afirma que ‘‘dependendo do dia’’ reduz os preços das mercadorias em até 50%. A estratégia de Luciano é manter os preços nas feiras do meio de semana e baixar nos finais de semana ‘‘porque a qualidade cai um pouco’’. O feirante informa ainda que há poucos clientes que compram no final da feira, entre eles, o pessoal de algumas escolas que procura o produto mais barato.
  A economista Rosângela Amaral compra depois das onze por opção: ‘‘Eu faço feira neste horário porque fica mais próximo do almoço; eu prefiro comprar e já utilizar o produto no mesmo dia’’. Ela reconhece que ‘‘às vezes há diferença de preços’’, mas não compra os produtos ‘‘quando as folhas estão murchas ou produtos passados’’.
  A comerciante Dalva Guedes prefere fazer a feira no começo da manh㠑‘porque os produtos estão mais fresquinhos, mas por causa do trabalho, isso nem sempre é possível’’. Como conhece bem os dois horários, garante que ‘‘não tem essa história de que a feira está acabando; o preço é sempre o mesmo’’.
  A nutricionista Carla Jadão Alves recomenda que as pessoas façam a feira no começo da manhã, ‘‘quando os produtos estão mais frescos; com a exposição ao sol, os produtos ficam um pouco passados, as folhas mais murchas e as frutas podem estar amassadas’’.
  Quanto ao valor nutricional, ela afirma que ‘‘não há perdas significativas, mesmo com a manipulação que acontece durante a manh㒒. Porém, informa que ‘‘o ideal é comprar o produto, chegar em casa e já preparar; se você coloca o produto em água fresca, dá uma melhorada na aparência’’.
  Carla faz um alerta importante: ‘‘o que não pode é comprar agora, no finalzinho da feira, e esperar dois dias para consumir; aí o produto vai estragar mais fácil’’.

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