Aquele enorme aparelho de TV, aquele computador de última geração, aquela cozinha planejada que há anos está nos planos, podem deixar a loja rumo às nossas casas a partir de uma decisão corajosa: financiar. Comprar à vista é, e sempre será, o melhor caminho. Mas para produtos mais caros isso é cada vez mais difícil. Aí vem o vendedor com sua inseparável calculadora simulando múltiplas possibilidades de parcelamento - para facilitar, diz ele.
Reduz a entrada aqui, estica o prazo ali, consulta o gerente, e pronto: vem a proposta que nos convence. Negócio fechado, mercadoria entregue. Começa aí uma caminhada que pode levar um, dois, três anos ou mais de comprometimento de parte da renda mensal. É melhor não fazer as contas do total, pra não se decepcionar. Os juros praticados em lojas, em torno de 6% ao mês. ''Muitas vezes as taxas são menores, mas os juros estão embutidos no preço à vista'', alerta Azenil Staviski, professor de economia de três universidades na região. Ele também diz que dificilmente as lojas podem parcelar pelo preço à vista sem incluir os juros. ''No máximo em 3 vezes pode até ser. Em 10, sem juros, é quase impossível''.
Para quem prefere agir pela razão e não pelo impulso, a dica do economista é pesquisar. Andar bastante e comparar produtos somente com preços à vista. Assim é possível pechinchar e conseguir valores realmente vantajosos. Não importa se você não tem o dinheiro. Se a idéia é financiar, faça o orçamento e busque o dinheiro em um banco. As taxas de juros são, via de regra, menores. A maioria das instituições bancárias tem o CDC (Crédito Direto ao Consumidor). Uma forma de crédito pré-aprovado, de acordo com a renda, disponível apenas para correntistas. Nos bancos privados, os juros variam de 3,5% a 5,5%, em média.
As vantagens são inúmeras. Além de ser mais rápido, também evitam situações constrangedoras comuns na construção do cadastro para o crediário. Para autorizar a compra, as lojas costumam exigir uma série de documentos, consultam os órgãos de proteção ao crédito, confirmam informações sobre o proponente no emprego e com pessoas indicadas, pedem referências comerciais e bancárias, entre outras exigências que não garantem que o cadastro seja aprovado.
As lojas não vão perder o cliente pelo fato do financiamento ter sido feito em bancos. ''Ele só vai estar comprando à vista, talvez no mesmo lugar onde compraria à prazo'', afirma o gerente do Banco do Brasil da principal agência em Londrina, Júlio César Baptista.
As contas se tornam assustadoras quando os sistemas são comparados. O exemplo é um computador que custa R$ 2 mil, parcelado em 15 vezes. Pelo Proger (Programa de Geração de Emprego e Renda - Banco do Brasil), que tem juros em torno de 1%, a parcela ficaria em R$ 144,25. Pelo CDC em bancos públicos, com juros a 2%, a mensalidade seria de R$ 155,65. Pelo CDC de bancos privados, com juros a 3,5%, o custo ficaria em R$ 176,00. Em uma loja, que pratica taxas de 5,55%, a parcela fica em R$ 199,91. A diferença entre o maior e o menor valor é de R$ 55,66 por mês, ou R$ 834,90 ao final dos 15 meses. ''É o suficiente para comprar a impressora e o scanner. Por este cálculo, dá pra ver o quanto pagamos de juros sem necessidade'', observa o economista.

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