Comprador poderá ter vantagem ''por fora''
O Banco Central (BC) começou a discutir com os interessados na compra do Banestado vantagens que serão concedidas ao comprador. Segundo pretendentes à compra, o BC está disposto a garantir isenção da obrigatoriedade de depósito compulsório por cinco anos. Essas vantagens, que ainda não foram fechadas, não são explícitas no edital de venda, sendo garantidas por fora. Esse tipo de vantagem já era esperado e é comum em privatizações de bancos estatais. No caso do Banespa, o assunto ainda não foi discutido, mas alguns interessados acreditam que terão a mesma contrapartida.
Atualmente, o depósito compulsório sobre depósitos à vista é de 45%. Isso significa que, para cada R$ 100 de depósitos, o banco é obrigado a entregar R$ 45 ao BC, sem remuneração. A isenção barateia o custo de captação de recursos pelo banco, já que ele pode conceder mais empréstimos e garante ao comprador menores custos para os investimentos necessários depois da compra. Dados do banco Santander indicam, por exemplo, que o Itaú lucrou US$ 1,5 bilhão apenas com a isenção do compulsório obtida na compra do Banerj e do Bemge.
O BC está estudando as vantagens agora na reta final de privatização do Banestado, já que os interessados, Itaú, Bradesco, Unibanco, ABN e Santander possuem suas avaliações preliminares. O presidente do ABN Amro Bank, Fábio Barbosa, por exemplo, vai receber neste final de semana uma versão atualizada da avaliação de seus técnicos. Será uma consolidação de dados das 220 mil páginas de documentos que estão na sala de informações, diz. A compra do Banestado será um dos assuntos discutidos com a presidência do banco em Amsterdã, para onde Barbosa viaja na segunda.
Segundo ele, a instituição não se pré-identificou para o Banespa porque, quando ocorreu o processo, o ABN não estava em condições de digerir o Banespa. Agora, a situação é outra. O ABN demonstra-se disposto também a participar de outras privatizações de bancos, como a do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e a do Banco do Estado do Maranhão. Foi em junho deste ano que a instituição encerro, por completo, a absorção da compra do Real.
Além disso, o interesse do ABN, de acordo com o executivo, não é sair à frente de seus concorrentes na compra de outras instituições, mas tentar defender sua participação. E isso não significa que, no caso de uma derrota, vamos agir de imediato em alguma aquisição.
Outro interesssado na compra do Banestado, o Santander, parece bastante disposto para a briga. O banco, além de estar na disputa pelo Banestado, está pré-qualificado para o Banespa. O presidente do Santander, Gabriel Jaramillo, diz que o banco pretende dobrar investimentos no Brasil, de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões, dentro de dois a três anos. O Banespa é uma oportunidade a mais para nós. Estamos analisando, mas não falaremos sobre a operação de compra antes do leilão, afirmou.





