Nos três primeiros meses de 2001, o Banco Itaú registrou lucro líquido de R$ 625 milhões. O resultado foi 71,2% superior ao apurado no mesmo período do ano passado e ocorreu, principalmente, por causa da variação cambial no período, benéfica aos investimentos estrangeiros da instituição. Só o impacto positivo do dólar respondeu por R$ 154 milhões. O banco possui cerca de US$ 1,9 bilhão em investimentos no exterior, incluindo Argentina, Portugal, Estados Unidos e Ilhas Cayman. Outro ponto a favor foi a redução de R$ 138 milhões nas despesas administrativas da instituição.
Para o presidente do banco, Roberto Egydio Setubal, a perspectiva é de que, nos próximos meses, o porcentual de crescimento dos resultados no comparativo com 2000 seja menor, já que ‘‘não há mais muito espaço para o câmbio subir’’. Ainda assim, Setubal mantém a expectativa para o ano de crescimento em torno de 30% da carteira de crédito da instituição, diante da previsão de aumento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Em março, na comparação com o mesmo mês de 2000, a carteira do Itaú cresceu 47,9%. Esse porcentual, no entanto, engloba também os números da aquisição do Banestado, que ainda não estavam incluídos nos três primeiros meses do ano passado. Sem esse efeito, a carteira de crédito do Itaú seria de R$ 28 bilhões, com aumento de 38,6%, pouco acima da perspectiva do ano.
De acordo com o diretor-executivo da instituição Silvio Carvalho, o número de clientes do Banestado trouxe aumento de 457 mil, no fim de 2000, para 516 mil em março passado, equivalente a uma evolução de 13%. A expansão dos caixas eletrônicos do Banestado ficou em 5% no mesmo intervalo (atualmente, 457 unidades) e o lucro do banco no trimestre fechou em R$ 2,6 milhões.
Carvalho acrescenta ainda que as operações de crédito nos segmentos de pessoa física e grandes empresas continuarão a ser destaque no segundo trimestre de 2001. Nos primeiros três meses do ano, os empréstimos para pessoa física apresentaram a maior variação positiva entre os demais setores, de 18,9%. O volume cresceu 79,2% frente ao mesmo intervalo de 2000, para R$ 5,4 bilhões. No setor de grandes companhias, o incremento financeiro foi de 48,7%, passando a R$ 17,4 bilhões.
O Itaú optou ainda por incrementar em R$ 27 milhões o saldo de provisões excedentes para devedores duvidosos, que atingiu R$ 630 milhões. A despesa de provisão para devedores duvidosos diminuiu em R$ 59 milhões na comparação entre o quarto trimestre de 2000 e o primeiro de 2001. Setubal destaca que a decisão foi possível porque não há indicações de aumento do índice de inadimplência.
De acordo com ele, outro fator de destaque para o bom resultado do trimestre é a melhora operacional do banco. A receita consolidada de intermediação financeira avançou 127,78% ante o primeiro trimestre de 2000, atingindo R$ 3,6 bilhões. O resultado bruto da intermediação fechou em R$ 1,2 bilhão, com aumento de 29,3%. O Itaú conseguiu reduzir a participação dos custos administrativos sobre a receita, de 59,7%, no quarto trimestre de 2000, para 54,7% no trimestre passado.

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