Curitiba O descontrole financeiro é o principal motivo da inadimplência com cheques. Esse é o resultado de uma pesquisa feita pela Telecheque ouvindo 2,5 mil consumidores com restrições de crédito com cheques, entre maio e setembro deste ano. O descontrole das despesas foi apontado por 39% dos entrevistados como sendo o motivo para a inadimplência. Em segundo lugar, ''emprestar o nome'' para outra pessoa gerou a dívida (18,5%), seguida pelo atraso salarial (15,4%) e desemprego (9,6%).
A pesquisa também mostra que a maioria dos inadimplentes é jovem, com idade entre 21 e 39 anos (64,6%); e com renda entre R$ 501,00 e R$ 1.000,00, totalizando 43,5% dos entrevistados. O levantamento da Telecheque também verificou a compra que gerou a restrição. As roupas destacaram-se como principal produto adquirido, por 26% dos entrevistados. Em seguida, apareceram os supermercados (14%) e combustíveis (11%). A maioria, 50,3%, adquiriu o produto com um único pagamento e 45,3% realizaram uma compra de até R$ 100,00.
O advogado Marcelo Rodrigues, 29, diz que todas as vezes que teve que recorrer ao limite do cheque especial foi por falta de planejamento nos gastos. Já a bancária Ariane de Oliveira Savioli, 24, diz que, apesar de ser organizada, às vezes é pega de surpresa com os aumentos muito superiores aos esperados em suas despesas rotineiras.
José Luiz Spegel, 27, que trabalha no setor de turismo, conta que a única vez que teve um cheque devolvido foi por tê-lo emprestado a um amigo. O cheque foi descontado fora da data combinada, foi reapresentado e acabou motivando o fechamento de sua conta corrente. ''Nunca mais caio nessa'', garante.
O vice-presidente da área de serviços da Associação Comercial do Paraná (ACP), Élcio Ribeiro, acredita que o principal motivo para o descontrole nas contas é o uso exagerado dos pré-datados. A ACP tem orientado os lojistas a ligarem para o cliente alguns dias antes de depositar o cheque para alertá-lo. ''Muitas pessoas dão pré-datado e depois esquecem'', diz. Uma pesquisa feita há dois anos pela ACP mostrava que 35% das causas de devolução de cheques era por empréstimo a terceiros. ''Pelo jeito isso vem diminuindo'', avalia.
Sobre a inadimplência, Ribeiro lembra que setembro foi o 16º mês consecutivo em que houve redução de inclusão por cheque sem fundo. ''Isso é harmonia com orçamento.'' Ele explica também que o cheque está sendo mais usado, retomando espaço que havia perdido para os cartõs de crédito por causa das altas taxas de juros.

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