Curitiba - A Caixa Econômica Federal realiza um feirão de imóveis em Curitiba neste final de semana. No entanto, antes de financiar a casa própria o consumidor deverá ter uma série de cuidados para evitar problemas ao longo do contrato. O diretor da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), José Geraldo Tardin, alertou que, antes de assinar o financiamento, o mutuário deve procurar um advogado para analisar o documento.
Ele lembrou que a legislação permite comprometer 30% da renda. Mas, aconselha não gastar mais do que 15% do orçamento mensal familiar com o pagamento da prestação. ''Os mutuários que tiveram os imóveis retomados começaram comprometendo 30% da renda. Em cinco anos, a prestação já atinge 50% do orçamento. Não é que a prestação aumente de valor. O custo de vida é que sobe'', disse.
Outra dica é fazer uma pesquisa e escolher o banco que ofereça a menor taxa de juros. A maior parte dos bancos têm simuladores de financiamento nos sites. Basta informar o prazo, a renda da pessoa e o valor a ser financiado. Ele lembrou que as prestações geralmente são decrescentes mas, o mutuário consegue sentir os efeitos após o oitavo ano de pagamento.
Tardin destacou ainda que o mutuário corre o risco de ficar com um saldo residual no final do contrato. A fórmula dos financiamentos não é para apresentar resíduo. Caso haja inflação alta, o saldo devedor pode crescer. Se a TR (Taxa Referencial) sobe, na hora de calcular, a prestação pode ficar mais cara.
O mutuário também deve estar atento ao sistema de amortização do saldo devedor. São três os principais sistemas: SAC (Sistema de Amortização Constante), Sacre (Sistema de Amortização Crescente) e tabela Price. Segundo Tardin, o SAC seria uma opção melhor porque traz no cálculo uma amortização constante na prestação e no saldo. Mas, o problema é que parte de uma prestação mais alta.
O Sistema Sacre só é disponibilizado pela Caixa. Neste caso, o contrato é recalculado uma vez por ano, com isso, reduz a prestação e o saldo. Na opinião dele, a tabela Price é a mais desvantajosa e começa com uma prestação mais alta. Neste caso, o mutuário só começa a ter amortização e redução a partir do pagamento de 75% do contrato.
Tardin disse que a melhor opção, para quem pode, é poupar para comprar o imóvel à vista. Ele garante que se a pessoa tiver aplicado 30% do valor da entrada do imóvel e guardar durante 57 meses (quase 5 anos) o valor que gastaria com o pagamento da prestação de um financiamento, consegue comprar o imóvel à vista.

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