Compra de empresa deve ser 'racional'
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segunda-feira, 20 de março de 2006
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Comprar uma empresa que já está em funcionamento é uma das alternativas para quem alimenta o sonho de ter o próprio negócio. Mas esse sonho pode facilmente se tornar pesadelo. ''Na hora de comprar um estabelecimento, muita gente se vale mais da emoção do que da razão. Quando a pessoa assume a administração da empresa, pode perceber que não era bem aquilo que esperava'', alerta Júlio César Rodrigues, consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Ele aponta que, na sua rotina de trabalho, se depara com frequência com proprietários de pequenas empresas que amargam o erro de ter adquirido estabelecimentos cheios de problemas. ''A 'herança' de dívidas trabalhistas e tributárias é uma das situações mais comuns. Às vezes, o ex-dono não recolheu as contribuições devidas. É evidente que o novo proprietário vai ter que assumir os problemas'', diz o consultor.
Rodrigues comenta que, para evitar transtornos, os interessados em comprar empresas ativas devem procurar o Sebrae e solicitar orientação (veja dicas no gráfico). Quem mora na região de Curitiba tem outra opção. Recentemente, a Apolar Business abriu um escritório na capital paranaense.
''Nosso objetivo é prestar assistência jurídica e fiscal para quem está comprando ou vendendo uma empresa'', explica Ricardo Magela, gestor da Apolar Business no Paraná. ''Esta orientação é um nicho que não estava sendo explorado em Curitiba. Somos pioneiros na área no Paraná''. A Apolar Business é parceira do Sebrae e cobra por seus serviços 10% do valor da negociação.
''Muitas vezes a pessoa é um empreendedor sem noção de gestão empresarial. Não passa pela cabeça dela, por exemplo, que a empresa pode ser processada por um ex-funcionário que havia trabalhado no local antes da mudança de proprietário'', afirma Magela.
Rodrigues aponta que outro erro comum de quem compra empresas ativas é a falta de conhecimento do tipo de negócio onde está se inserindo e da situação atual do respectivo mercado. ''Pesquisa e cautela podem evitar aborrecimentos futuros'', diz o consultor.
''E, além da situação de mercado e das condições da empresa, é fundamental procurar saber se a compra vai atender o propósito de vida do empreendedor. Quando a pessoa começa a administrar o estabelecimento, ela pode perceber que ser dona daquela empresa não era exatamente o que queria fazer. Já ouvi muita gente dizer: 'Quando eu era cliente, a empresa me parecia maravilhosa. Como proprietário, não consegui ser feliz como eu esperava''', conclui Rodrigues.


