O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, oficializa hoje, em Brasília, uma linha de crédito especial para o financiamento na compra de caminhões novos. O objetivo é incentivar a renovação da frota nacional de veículos de transporte de carga, que está próxima dos 20 anos de uso em média, no Brasil.
As melhores condições de financiamento de caminhões para pessoas físicas fazem parte do conjunto de reivindicações apresentado pelos transportadores autônomos ao ministro durante a greve nacional de caminhoneiros, em julho de 1998. Mas o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos do Paraná (Sindicam), Diumar Cunha Bueno, alerta para a possibilidade de redução dos valores dos fretes se houver um aumento real da frota.
‘‘Isso que o ministro vai anunciar amanhã é fruto do trabalho destes últimos dois anos das entidades de transporte de cargas junto ao governo federal’’, afirma Bueno. O programa de renovação da frota prevê financiamento de até 90% do bem em 72 meses, com juros de 1% ao ano mais Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que varia entre 8% e 9% ao ano. Além disso, os caminhoneiros terão um prazo de carência para início do pagamento que vai de seis meses a um ano. Outro benefício é que o próprio caminhão pode servir como garantia para o crédito.
Segundo Bueno, cerca de 20% dos caminhoneiros autônomos do Paraná podem ser beneficiados pela linha de crédito. No Paraná, a média de idade da frota de caminhões é de 15 anos. Existem atualmente 80 mil transportadores autônomos no Paraná.
Um dos efeitos negativos do crédito pode ser a redução do valor dos fretes em função da maior oferta de transporte. ‘‘É preciso reorganizar e regulamentar a categoria para evitar os problemas que estão acontecendo hoje’’, afirma. Segundo Bueno, o aumento no número de caminhões é o principal responsável pela queda no valor do frete.
Entre 1998 e 1999 a frota de caminhões no Brasil cresceu 3,7% ao ano. O volume de carga transportada apresentou desempenho de -2,14% no mesmo período. Atualmente existem mais de 1,8 milhão de caminhões no Brasil. ‘‘Precisamos, com urgência, da criação da Agência Nacional de Transportes, que vai regulamentar todo o setor’’, conclui.

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