Compra de ações da Parmalat no PR pode ser acelarada
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sábado, 07 de fevereiro de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O anúncio do presidente da Parmalat Brasil, Ricardo Gonçalves, de paralisar as unidades brasileiras, que já operam com apenas 40% de sua capacidade, pode acelerar o processo de compra das ações da fábrica no Paraná pelas cooperativas. A multinacional detém o controle acionário, com 51% das ações da Batávia, indústria de laticínios do grupo Parmalat localizada em Carambeí. O pool de cooperativas de leite Batavo, Castrolanda e Capal (de Arapoti) , que controla 46% das ações evita falar sobre o assunto. É certo, no entanto, que tanto governos federal e estadual e a comissão especial da Câmara de Deputados apóiam o controle acionário pelas cooperativas.
O deputado federal do Paraná Assis Miguel do Couto (PT) esteve, ontem, visitando a cooperativa Granalat, em Turino, na Itália, que junto da Granarolo domina 36% da produção, industrialização e comercialização de leite no país. A visita, segundo o assessor do deputado, Neuri Mantovani, tem o objetivo que buscar idéias de alternativas jurídicas que se apliquem ao Brasil para que as cooperativas possam assumir as unidades da Parmalat e, assim, contornar a crise.
Informalmente, segundo Mantovani, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já teria se disposto a abrir financiamento para as cooperativas assumirem o controle acionário da Parmalat.
A crise da Parmalat ainda não afetou o funcionamento da fábrica da Batávia. O presidente da Comissão Técnica do Leite da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ronei Volpi, não tem dúvida de que a indústria vai continuar produzindo, independente da crise da multinacional. Isso porque a unidade de Carambeí fabrica também os produtos da Batavo que, para ele, tem boa qualidade e colocação no mercado.
Com relação aos cerca de 300 produtores das regiões oeste e sudoeste que forneciam leite diretamente para a unidade da Parmalat em Carazinho e estavam com pagamento atrasado, Volpi afirmou que eles já começaram a migrar para outros laticínios. O técnico acredita que os produtores não ficarão sem alternativa, pois, segundo ele, há pelos 10 empresas de beneficiamento de leite de médio porte e várias outros pequenos laticínios que podem absorver essa produção.


