O maior negócio do setor e um dos maiores do ano em todo o País foi realizado em Londrina. A Kroton Educacional S.A., com sede em Belo Horizonte, anunciou ontem a compra da Universidade Norte do Paraná (Unopar) por R$ 1,3 bilhão. O grupo, que detém as marcas Iuni e Pitágoras, torna-se agora uma das três maiores instituições de ensino superior privado do Brasil, com cerca de 264 mil alunos e 45 campi em vários estados.
Nem a Kroton nem a Unopar deram entrevistas, mas dados divulgados na seção de Relação com os Investidores do site da compradora mostram que os vendedores, Marco Antonio e Elisabeth Laffranchi, ficam com 10,3% das ações da Unopar. O conselho de administração da universidade terá 11 membros, sendo dois indicados pelo casal.
A universidade londrinense é líder nacional de Ensino a Distância (EAD), tendo 146 mil estudantes matriculados. Nos cursos presenciais, a instituição mantém algo em torno de 16 mil alunos. Os documentos postados no site pela compradora revelam o interesse do grupo pelo primeiro sistema. ''O EAD é um negócio com forte geração de caixa e elevado crescimento'', diz um dos textos.
Os dados referentes a receita e lucro dos dois grupos antes da aquisição também são ilustrativos sobre o bom negócio que se tornou o EAD no Brasil. A previsão de receita líquida para 2011 da Kroton é de R$ 699 milhões contra R$ 416 milhões da Unopar. Apesar de uma receita 68% maior, o comprador, que tinha foco maior no ensino presencial, deverá ter metade do lucro líquido da vendedora (ver quadro).
O pagamento para os donos da Unopar será da seguinte forma: R$ 650 milhões à vista, R$ 260 milhões até 14 de março e R$ 130 milhões em 12 meses. O restante será pago em ações da Kroton.
Para fechar o negócio, o grupo emitiu R$ 550 milhões em Cédulas de Crédito Bancário (CCB) em favor do Bradesco. E também aumentou seu capital social em até R$ 500 milhões, mediante a emissão de novas ações na Bolsa. Terá direito de preferência a elas as sociedades controladas por fundos geridos pela norte-americana Advent Internacional Corporation.
''Você pode ter certeza que a compra da universidade está entre os 10 maiores negócios do ano no País'', disse Rogério Gollo, líder de fusões e aquisições da PwC - empresa de assessoria empresarial e auditoria. A PwC faz o acompanhamento mensal dos negócios e, entre mais de 100 transações acompanhadas por ela, apenas sete ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão (ver quadro). A compra do Shopping Catuaí neste ano não consta dos relatórios da empresa.
De acordo com Gollo, há uma tendência de grandes negócios serem feitos fora da Região Sudeste. ''A tendência é que as demais regiões se fortaleçam, principalmente Sul e Nordeste'', ressalta. As negociações de maior vulto, lembrou o líder, só são possíveis graças aos investimentos dos fundos estrangeiros.
A transação é o segundo meganegócio em menos de três meses do ensino privado brasileiro. Em setembro, a paulista Anhanguera comprou a Uniban por R$ 510,6 milhões.

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