Curitiba - Pesquisa realizada pela Boa Vista Serviços, empresa administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), mostrou que 29% dos consumidores inadimplentes em setembro declararam ter restrição ao nome em razão de compra com cartão de crédito. Em seguida, os meios de pagamento citados nos casos de inadimplência foram carnê (24%), cheque (17%), empréstimo pessoal (13%), cheque especial (8%) e cartão de loja (8%).
A pesquisa sobre o perfil do inadimplente ouviu cerca de 1.110 consumidores que procuraram o balcão de atendimento do SCPC. Nas faixas de renda familiar até três salários mínimos, atinge 30% a parcela de consumidores que disseram ter usado o cartão de crédito como pagamento e que levou à restrição ao nome. Nas faixas acima de dez mínimos, a fatia é de 27%.
O diretor de inovação da Boa Vista, Fernando Cosenza, disse que os principais motivos para a inadimplência são a falta de planejamento e de educação financeira. Ele alertou que o cartão de crédito é um crédito pré-aprovado, fácil, prático e, além disso, o consumidor não precisa comprovar nada para fazer uma compra. Hoje, segundo Cosenza, o cartão também aparece em primeiro lugar no quesito de inadimplência porque há uma quantidade muito grande no Brasil. ''Cada brasileiro tem, em média, quatro cartões entre crédito e cartões de lojas'', disse.
''Se o cartão de crédito for bem usado, é uma ferramenta boa de controle financeiro. Uma das saídas é pedir para o banco reduzir o limite do cartão'', sugeriu.
Para 21% dos entrevistados, uma das dívidas não pagas originou-se da aquisição de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos; 16% citaram a compra de produtos ou serviços relacionados à alimentação; 16% mencionaram a compra de vestuário e calçados; e 11% falaram em contas de concessionárias de serviços públicos. Cosenza explicou que móveis e eletrodomésticos podem ter ficado no topo da lista desta vez em função da prorrogação da redução do IPI por parte do governo federal. ''O consumidor é bombardeado com a mensagem de 'vai acabar' (o IPI) e atencipa compras sem fazer planejamento'', disse.
O desemprego continua a maior causa da inadimplência, com 33% das justificativas. Em segundo lugar, vem o descontrole financeiro (23%). A maioria (31%) das dívidas não pagas está abaixo de R$ 500; 18% possuem dívidas acima de R$ 5 mil; 18% entre R$ 500,01 e R$ 1 mil; e 16% entre R$ 1.000,01 e R$ 2 mil.
Cosenza destacou que o orçamento é um assunto da família e, por isso, deve ser assumido por todas as pessoas da casa. Ele também salientou que é importante ter uma pequena poupança. A pesquisa mostrou que a maioria das dívidas tem valor inferior a R$ 500. ''Uma pequena poupança resolveria este problema. E poupança não é o que sobra. É o que você estabelece'', destacou.
Para o economista e reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins, o aumento da inadimplência em 2012 está relacionado com a economia brasileira que cresceu menos em relação ao ano passado. Entre as saídas que ele aponta para os inadimplentes estão interessar-se pelo assunto dinheiro, organizar o orçamento, planejar as metas de gastos e poupança e, por final, seguir aquilo que a pessoa planeja para ela mesma. Outras dicas são fazer uma renegociação da dívida com alongamento de prazos e redução de juros.

Imagem ilustrativa da imagem Compra com cartão de crédito fica no topo da inadimplência
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