Em uma palestra recente, ouvi uma afirmação que me fez refletir profundamente: o desenvolvimento de um povo, de uma empresa ou de qualquer organização está diretamente relacionado ao comportamento de seus integrantes. Concordei plenamente. De fato, não é possível alcançar o verdadeiro progresso se nossas atitudes não estiverem alinhadas aos propósitos que almejamos.

Imediatamente me vieram à mente experiências vividas ou observadas ao longo da vida. Recordo, em especial, um evento realizado em Curitiba, por ocasião da criação do Mercosul. Em uma das palestras, o tema central foi a cultura dos povos — uma discussão pertinente diante do esforço de integração entre países com histórias e costumes distintos. O palestrante fez comparações entre diferentes culturas, destacando tanto virtudes quanto comportamentos passíveis de reflexão.

Ao abordar o povo alemão, chamou atenção para a seriedade com que encaram tudo o que fazem. Comentou, por exemplo, que quando um produto apresenta defeito e retorna à fábrica, isso gera grande desconforto entre os trabalhadores envolvidos. Para eles, tudo que é feito deve ser bem-feito. Esse senso de responsabilidade e compromisso com a qualidade ajuda a explicar parte importante do sucesso daquele país.

Outro exemplo marcante é o comportamento de descendentes nipônicos em eventos esportivos no Brasil. Ao final de grandes competições, mesmo com milhares de pessoas presentes, o local era deixado limpo, sem vestígios de lixo ou danos aos equipamentos. Isso é comportamento. É respeito coletivo. É educação em ação.

Mesmo dentro do Brasil, podemos observar realidades distintas em termos de desenvolvimento — e essas diferenças também estão fortemente relacionadas ao comportamento das populações locais. Há cidades e estados que se destacam, não por acaso, mas por uma conduta mais comprometida com o bem comum, com o cumprimento das regras, com o cuidado com os espaços públicos. A conduta coletiva, seja para o sucesso ou para o fracasso, tem papel determinante.

Essa mudança de atitude é possível — e depende, acima de tudo, da nossa vontade de aprender com quem faz certo. O mundo nos oferece dois modelos: o da responsabilidade e o da indiferença. E nem é preciso olhar muito longe; em nosso entorno encontraremos ambos. Cabe a nós escolher em qual deles nos espelhar.

Compreendido isso, o passo seguinte é a autocrítica. Precisamos canalizar nossa energia não para reclamar, culpar ou menosprezar quem se destaca, mas para aprimorar nossas próprias atitudes. A busca por evolução — cultural, profissional, ética — deve ser constante, sobretudo diante dos desafios que enfrentamos como indivíduos e como sociedade.

Esse esforço precisa se estender a todas as esferas da vida: da conduta pessoal à atuação profissional, da convivência em comunidade à participação cidadã. O comportamento ético, responsável e comprometido, quando adotado por muitos, torna-se um poderoso motor de transformação.

O Brasil é um país de contrastes: abundante em recursos e potencial, mas ainda marcado por desigualdades e carências profundas. Se quisermos transformá-lo em uma nação próspera, inclusiva e justa, a mudança precisa começar por nós. O desenvolvimento verdadeiro nasce do comportamento consciente, da ação responsável e do compromisso coletivo com um futuro melhor.

Ary Sudan - Empresário

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