O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central foi criado em 1998 para definir a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), taxa básica de juros da economia pagas pelo governo federal. Esse sistema substituiu o Overnight, modelo que até então definia, diariamente, os juros da economia nos períodos de hiperinflação. Atualmente, o Copom se reúne a cada 45 dias e foi criado para observar o comportamento da inflação e definir a taxa de juros.
  Nas últimas reuniões, o Copom baixou a taxa de juros e está sinalizando com baixas maiores. Mas mesmo com uma taxa de 15,75% ao mês, o Brasil registra um dos juros mais altos do mundo. A inflação está na casa dos 5%, o que representa mais de 10% de juros reais por mês. ‘‘A política monetária do governo tem por objetivo controlar a inflação de demanda e não de custo. Para a inflação de custo, como ocorre no Brasil, não precisa de juros altos’’, afirma o economista Ismael Mologni.
  Inflação de custo é ocasionada pelo aumento de commodities no mercado internacional, que traz reflexos nos preços de produtos e subprodutos. No entanto, o economista explica que se a taxa de juros fosse mais baixa, os dólares trazidos pelos investidores internacionais, aplicados em títulos públicos e nas bolsas de valores, seriam retirados do País. O motivo: a falta de credibilidade do governo brasileiro, uma vez que governos anteriores decretaram a moratória várias vezes.
  ‘‘O Copom analisa e mantém os juros altos para não reduzir o fluxo de dólar em caixa’’, explica Mologni. Por isso, na sua opinião, a antecipação do pagamento de R$ 15 bilhões da dívida externa paga ao Fundo Monetário Internacional (FMI) não foi um bom negócio porque reduziu as reservas cambiais do País. Em ano eleitoral, esse pagamento é mais temerário porque os investidores podem enxergar situações de risco e retirar seus dólares do País.
  Além disso, há um outro fator: metade dos juros da dívida pública é pago pelo Tesouro Nacional. ‘‘Os maiores gastos do governo são com o pagamento de juros. O gasto é maior do que em infra-estrutura’’, comenta o economista. A taxa Selic também traz influências na vida dos cidadãos comuns. O efeito está embutido indiretamente nos juros do crediário, cartão de crédito, cheque especial e todo tipo de empréstimo.
  No entanto, para baixar os juros Mologni só vê uma saída: um pacto social envolvendo bancos, trabalhadores, empresários e o próprio governo. Segundo ele, as instituições bancárias teriam que se comprometer a não cobrar juros, os empresários em não aumentar os preços de seus produtos, os trabalhadores a não fazer greve e o governo, por sua vez, só poderia gastar a quantia que arrecadar.

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