Curitiba - As primeiras reservas de ‘‘ouro negro’’ foram encontradas em solo amazônico, no ano de 1955, em cidades localizadas na Bacia do Amazonas. Mas a descoberta de jazida do óleo e gás natural (GN) para a produção em níveis comerciais, só vai acontecer três décadas depois, na Bacia do Solimões. Se trata de um petróleo de natureza nobre (49 graus), mais leve e de excelente qualidade (baixo índice de enxofre) e que brota espontaneamente até o sistema de processamento, apenas pela força do gás existente no subsolo. Traduzindo em cifras, o barril de petróleo de Urucu custa valorosos 60 dólares.
  O tesouro estava guardado na região próxima ao rio Urucu, que em 1988, passou a sediar a Província Petrolífera de Urucu, totalmente isolada dentro da selva Amazônica – para chegar lá, só via aérea ou fluvial. Hoje, existem cerca de 60 poços (2,5 mil metros de profundidade) em atividades, divididos em três campos exploratórios: Leste de Urucu (1987), Sudoeste de Urucu (1988), Carapanaúba e Cupiúba (1989).
  Além do gás, a província produz GLP (gás de cozinha) e 60 mil barris de petróleo por dia, que são destinados para a Refinaria Isaac Sabbá (que foi adaptada para receber o óleo de Urucu), em Manaus, onde se produz derivados como nafta petroquímica, gasolina e óleo diesel.
  O processamento diário de GLP fica em torno de 1,5 mil toneladas, o que equivale a 115 mil botijas (13 kg), que abastece toda região Norte e parte da Nordeste. O ICMS recolhido em Urucu gera para a receita do estado do Amazonas cerca de R$ 612 milhões, por ano. ‘‘Urucu mostra como é competente em extrair riqueza de forma sustentável no maior santuário ecológico do mundo’’, orgulha-se o coordenador da província, José Maria Cardoso. Todo o resíduo resultado da produção de petróleo – além do lixo e esgoto – é reciclado, incinerado ou recebe tratamento para ser devolvido a natureza. Nada fica em Urucu.
  A infra-estrutura de Urucu é formada pelo Pólo Arara, alojamentos, refeitório, 120 quilômetros de estradas e um aeroporto. Para manter o complexo industrial funcionando 24 horas, os funcionários – 130 empregados da Petrobrás e 750 terceirizados – trabalham em sistema de rodízio, permanecendo 14 dias na base e 21 dias de folga. A base de Urucu já apresenta uma curva descendente de produção (cerca de 20 anos mais de exploração). Por isso, a Petrobrás já está realizando pesquisas em busca de mais petróleo. Em dois anos, por exemplo, a produção de GLP caiu de sete mil metros cúbicos/dia, para seis mil.

  Coari - A produção da Província Petrolífera de Urucu tornou o município de Coari o maior produtor terrestre de petróleo no Brasil. O título trouxe para a cidade crescimento significativo: no número de habitantes, na geração de empregos e no atendimento de serviços públicos (Educação, Saúde e infra-estrutura urbana).(F.G.)

* A repórter viajou ao Amazonas a convite da Petrobrás

mockup