Competitividade precisa melhorar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de dezembro de 2006
Anne Warth<br>Agência Estado 
São Paulo - O Brasil tem realizado melhorias em seus indicadores econômicos, mas não na velocidade necessária para que se mantenha competitivo perante os países emergentes. Essa é a conclusão do estudo divulgado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) e pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC) denominado Painel de Competitividade 2006, que avaliou o desempenho da economia brasileira em comparação com Índia, China, Rússia e México. Em ranking elaborado pelo estudo, Brasil e México ocupam a última posição.
Segundo o presidente da Comissão de Estratégia e Competitividade da Amcham, e presidente do MBC, José Fernando Mattos, o Brasil melhorou apenas na comparação consigo mesmo. Esse resultado, embora positivo, não atrai investimentos da mesma forma que os demais países. ''A velocidade da melhoria dos indicadores no Brasil não é suficiente para manter o País no grupo dos BRIC-M (Brasil, Rússia, Índia, China e México)'', afirmou. ''O índice de competitividade tem relação íntima com o crescimento do PIB'', acrescentou.
O estudo de competitividade, elaborado desde o ano 2000, possui 24 indicadores, que se distribuem em três subgrupos: custo e disponibilidade de capital, custo fiscal e institucional, e custo operacional. Dados do levantamento avaliam que dos 24 indicadores, o Brasil possui 10 ruins, 9 intermediários e 5 em nível superior, mesmo desempenho do México, o que garante aos dois países a última colocação no estudo.
A Rússia, por exemplo, tem 7 indicadores em nível superior, 7 em nível intermediário e 10 ruins. A Índia possui 8 em nível superior, 11 em nível intermediário e 4 ruins. Já a China, primeira colocada no estudo, apresenta 13 indicadores bons, 5 intermediários e 5 ruins (um dos indicadores não pode ser avaliado nos casos chinês e indiano).
Os principais problemas do Brasil estão relacionados com as altas taxas de juros, o tempo para a abertura de empresas, alfândega, infra-estrutura e transparência de políticas. Indicadores como risco e juros, apesar de terem caído substancialmente nos últimos anos, ainda permanecem em níveis superiores se comparados aos demais países. Como pontos positivos, o estudo destacou o funcionamento da Justiça e o cumprimento das leis trabalhistas.
De acordo com Mattos, entretanto, para que o País tenha um desempenho melhor, são fundamentais a melhoria do ambiente institucional, o aprofundamento do processo de reformas, a redução e melhoria dos gastos públicos, a diminuição da burocracia e a redução da carga tributária. ''Essas questões são fundamentais para que o País atraia mais investimentos, tanto nacionais quanto estrangeiros'', considerou.
O Painel de Competitividade 2006 reúne indicadores elaborados pelos principais estudos de competitividade global, como o The Global Competitiveness Report (WEF), World Competitiveness Year Book (IMD), e Doing Business (ISC/BIRD).


