A competitividade do etanol em relação a gasolina está com os dias contados em Londrina. Nas últimas semanas, o preço do álcool sofreu elevações constantes e deve passar da casa dos R$ 2 nos próximos dias. De acordo com a pesquisa semanal realizada entre 14 e 20 de agosto pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço mínimo comercializado na cidade foi de R$ 1,68 e o máximo de R$ 1,99, com uma média final de R$ 1,78.
Já quando avaliados os valores de 566 postos do Paraná, o preço mínimo também ficou em R$ 1,68, o máximo em R$ 2,29, com média de R$ 1,85. O levantamento estadual aponta que o preço do etanol corresponde hoje a 71% do preço da gasolina, enquanto em Londrina, 68%, quando calculado com as médias encontradas pela ANP. O valor do litro do etanol só é considerado competitivo até, no máximo, 70% do preço da gasolina.
Para Durval Garcia Junior, vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis) na região norte, um dos fatores que explica o novo aumento do etanol é a queda de pelo menos 4,36% na moagem da cana, segundo projeção divulgada este mês pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).
A entidade calculou uma moagem de 510,24 milhões de toneladas nas unidades produtoras da Região Centro-Sul do País, frente a 533,50 milhões apurado em julho. O motivo da redução é a ocorrência de geadas nos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais. A pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) comprova que o valor do etanol hidratado na indústria está realmente subindo. No dia 18 de julho, o litro era comercializado com as distribuidoras a R$ 1,13. Um mês depois, já ultrapassou R$ 1,21.
Garcia Junior ressaltou que o preço do etanol ainda é competitivo na cidade devido ''aos ilícitos de mercado''. ''Eles comercializam o combustível sem nota fiscal. Eu, por exemplo, estou pagando R$ 1,70 pelo litro de etanol. Como é possível alguns locais estarem vendendo a R$ 1,68?'', questionou. Ele comentou ainda que recebeu nesta semana um e-mail da distribuídora na qual negocia o combustível dizendo que hoje haverá um novo aumento de mais dez centavos. ''Acredito que o litro ultrapasse os R$ 2 novamente. No meu estabelecimento, já estou vendendo o dobro de gasolina em comparação ao etanol''.
Roberto Fregonese, presidente do Sindicombustíveis, confirmou que os preços de Londrina ''não refletem a realidade do Estado''. Ele comentou que os valores estão subindo semanalmente, tanto do álcool hidratado, como do anidro, que é utilizado na gasolina. ''Em Curitiba, (os preços) já explodiram a casa dos R$ 2. Comparando julho de 2010 a julho de 2011, o produto está 42,47% mais caro''. Fregonese projetou que a crise do etanol deve durar pelo menos três anos. ''Nos últimos 12 meses houve uma perda de 4,5% da área plantada de cana-de-açúcar e um crescimento 20% no consumo do Paraná''.

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