São Paulo – Os produtos brasileiros que têm tido receptividade significativa desde a desvalorização do real, em janeiro de 1999, devem perder pelo menos 30% de sua competitividade no mercado argentino por causa da, agora, desvalorização do peso. A avaliação é do presidente da Associação de Empresas Brasileiras para Integração de Mercados (Adebim), Michel Alaby.
‘‘As exportações brasileiras para a Argentina vão ficar 30% mais caras e perder a competitividade que haviam ganhado com a crise cambial há três anos’’, disse Alaby à Agência Estado. O economista afirmou ainda que o impacto da desvalorização no comércio exterior argentino será imediato, mas isso não significa que as vendas brasileiras para esse mercado venham recuperar, pelo menos a curto prazo, o terreno perdido por causa da crise econômica que levou a Argentina a desvalorizar a sua moeda e pedir moratória de sua dívida externa.
‘‘Acredito que, em seis meses, o Brasil poderá estar exportando mais do que no último semestre, mas isso não ocorrerá de imediato, até porque, no momento, os importadores argentinos não estão pagando’’, afirmou Alaby.
O professor do Departamento de Economia da Escola de Administração de Empresas São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Eaesp), Evaldo Alves, afirmou também que os produtos brasileiros ficarão mais caros no mercado argentino, mesmo com o regime de união aduaneiro (alíquota zero entre membros) em vigor dentro do Mercosul. Além disso, afirmou o professor, ‘‘a desvalorização deixou os argentinos mais pobres, o que significa que terão menos condições de comprar’’.

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