São Paulo - O real teria de se enfraquecer ainda mais para tornar o setor exportador brasileiro competitivo como foi no passado, na avaliação do diretor da Fitch, Joe Bormann. Em relatório, Bormann comenta que as estruturas de custos das companhias brasileiras foram devastadas pela inflação na última década. "A taxa de câmbio teria de se desvalorizar a R$ 3,75 para que as posições competitivas de 2004 fossem trazidas de volta", estima.
Apesar da pressão de custos ao longo da última década, algumas indústrias continuam a prosperar, ressalta a Fitch. Um exemplo é o segmento de celulose, que conta com companhias como Fibria e Suzano. No setor de mineração, a Vale conta com vantagens derivadas de seu tamanho e qualidade do minério de ferro, mas CSN, Usiminas e Gerdau não têm a mesma sorte.
A Fitch ainda cita o enfraquecimento da indústria automobilística e do segmento de açúcar e álcool, ressaltando que melhoras significativas não devem acontecer no curto prazo.
Já o chefe do Centro de Estudos Monetários (CEM) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), José Júlio Senna, avalia que, diante do cenário atual, uma depreciação cambial adicional "parece absolutamente indispensável". Diante disso, o economista afirma que o Banco Central tem responsabilidade redobrada. "O BC deveria se preocupar com a meta (de inflação) e com a composição, a relação de preços de non-tradables (bens não negociáveis internacionalmente) e tradables (bens negociáveis)", disse ontem durante 1º Seminário de Política Monetária, realizado pela FGV no Rio.
Para ele, é preciso rigor redobrado no combate à inflação de non-tradables, com espaço para o real ainda mais fraco. Segundo Senna, o reequilíbrio externo depende de melhora no preço relativo de tradables e non-tradables. Ele lembrou que nos últimos quatro anos o dólar está se fortalecendo. "O que está acontecendo é que a inflação de tradables não se mexe" disse.
O economista avalia ainda que a saída para o Brasil por meio das exportações está "muito difícil". "A economia mundial, o comércio internacional e os preços de commodities não ajudam", afirmou.

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