São Paulo- O Brasil subiu do 39º para o 38º lugar no Índice Fiesp de Competitividade das Nações (IC-Fiesp) 2006, divulgado ontem. A melhora, no entanto, mostra que a competitividade da economia brasileira piorou, em relação a 1998, quando o País ocupou a 37 posição no ranking. Em 1997, início da série do IC-Fiesp, o Brasil também ocupava a 38 posição.
O indicador leva em consideração dados referentes a 2004. De acordo com o índice, o Brasil recebeu nota 21,6 dentro de uma faixa de zero a cem. Dentro do quadrante dos países de menor nota, no qual está classificado o Brasil, estão melhores a África do Sul (nota 35,8), Polônia (35,8), Tailândia (29,6), Venezuela (25,4) e México (23,8). Estados Unidos lideram o ranking, com 93,3 e Japão vem a seguir com nota 77.
O estudo reúne 83 variáveis de 43 países responsáveis por 95% do PIB mundial. Os objetivos são identificar as principais restrições ao aumento da competitividade brasileira e avaliar o esforço realizado e o que precisa ser feito para o crescimento da sustentabilidade. Em 2000, o Brasil registrou sua pior posição (40). Entre 2000 e 2003, o País se manteve no 39º lugar. Numa simulação do IC-Fiesp 2007, com os dados de 2005, feita com 70% dos números já disponíveis, o Brasil manteria o mesmo 38º lugar.
De acordo com o José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade da Fiesp, as exportações têm dado a maior contribuição positiva para o índice. No entanto, trata-se de uma contribuição frágil, principalmente, porque as vendas externas do Brasil têm sido puxadas por commodities, dependentes dos preços internacionais, como é o caso do minério de ferro.
Segundo o indicador, também houve melhora no spread, na produtividade da indústria e da agricultura e nos investimentos. Entre 2003 e 2004, houve piora nos juros para depósito, na produtividade em serviços, na carga tributária, na exportação de manufaturas e na taxa de emprego.
Roriz afirmou que, embora o spread e os juros venham caindo, ainda são superiores a todos os outros 42 países analisados. Os juros brasileiros para empréstimo (curto prazo), em 2004, ficaram, na média, em 54,7% ao ano. Na média dos países analisados, ficou em 6,3%.
Em 2004, a carga tributária estava em 34,8% do Produto Interno Bruto (PIB), contra a média de 17,3% do PIB nos países de renda per capita similar a do Brasil. O consumo do governo, no mesmo ano, foi de 18,8%, muito superior ao valor médio dos países emergentes (14,3%).
O diretor da Fiesp destacou ainda que 12 anos de combate à inflação, por meio de juros altos, é a estratégia econômica do País. No entanto, isso dificulta o ambiente de negócios, o comércio internacional, além de ganhos de produtividade.

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