Fabricantes e lojistas brasileiros que foram à feira Go Tex Show, na capital paulista, eram unânimes em dizer que é quase impossível concorrer com tecidos e peças de roupas chinesas. Apesar do atrativo do preço baixo, eles dizem que a qualidade já começa a ultrapassar a de produtos nacionais, porque eles conseguem fazer acabamentos que teriam custos inviáveis no Brasil.
A analista de outsourcing da marca Pacífico Sul, Kitty Aline Grabinger, importa há três anos de insumos a produtos prontos da China. Ela foi à feira em busca de novos fornecedores e de novidades, já que diz que é possível fazer o que se quiser em fábricas asiáticas por um preço muito melhor do que aqui. "Compramos lá o que podemos pagar, tanto coisas baratas como mais caras, que depois vendemos como diferenciais no mercado interno."
Comprador de três lojas do interior paulista, Max Correia calculou mais de 10 mil itens expostos na feira, entre produtos acabados e insumos. Ele disse que ficou impressionado e assustado ao mesmo tempo, antes de dizer que fica difícil competir com o produto chinês. "A competitividade passa pelo preço, mas aqui se paga um absurdo em impostos para comprar uma máquina ou abrir uma empresa. Não adianta falar em eficiência e qualidade, se lá se consegue fazer o mesmo por menos dinheiro."
O discurso foi semelhante ao da fabricante de confecções Juliana Nagle, que procurava tecidos de qualidade com preços menores. "Temos de nos aliar a eles (chineses), porque competir não dá mais. O governo não apoiou e nunca vai apoiar a indústria têxtil nacional", disse. Vale lembrar que, na abertura da feira, no último dia 23, representantes de sindicatos nacionais fizeram um protesto na porta da feira, justamente para cobrar do governo melhores condições de competitividade para o setor nacional. (F.G.)

mockup