Competição reduz ganho dos bancos, avalia Acrefi
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de abril de 2005
Rita Tavares<br>Agência Estado 
São Paulo - O presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Érico Sodré Quirino Ferreira, disse ontem à Agência Estado que a acirrada competição no mercado de crédito para pessoa física está derrubando os spreads bancários, isto é, a diferença entre o custo do dinheiro para os bancos e o custo para os tomadores de crédito, abaixo dos projetados pelas instituições financeiras. De acordo com ele, a tendência é de que os spreads continuem a cair. A expectativa da Acrefi é de que o volume de crédito ao consumidor concedido neste 1º trimestre será recorde.
''A forte concorrência está fazendo com que as instituições dêem prioridade ao volume, independentemente do resultado'', disse Ferreira. Na briga pelo cliente, as grandes instituições têm mais poder de fogo do que as pequenas para reduzir o spread e, assim , conquistar clientes. ''Os menores estão sofrendo, mas ninguém pode reclamar. É a regra do jogo'', admitiu. Neste momento, o que as instituições visam é tornar o cliente fiel para outros empréstimos.
Na manhã de ontem, 22 instituições, entre bancos e financeiras, analisaram o desempenho do mercado em março e neste início de abril, na reunião mensal da entidade. ''Não há nenhuma indicação de que a demanda possa sofrer queda'', disse Ferreira. As linhas de crédito consignado e de veículos, por oferecerem os juros mais baixos, são as que concentram maiores volumes de empréstimos. Mas a demanda por crédito continua generalizada, segundo ele.
As instituições que integram a Acrefi esperam aumentar o volume de crédito concedido entre 30% e 50% neste ano. Ferreira disse que um grande banco de varejo, que não trabalha com crédito consignado e que teve um aumento de 50% no volume de empréstimos em 2004, prevê um crescimento semelhante em 2005.
Em março, Ferreira disse que as instituições não repassaram a alta dos juros básicos para as taxas cobradas até pela acirrada competição do mercado. No mês anterior, houve repasses. Mas o presidente da Acrefi afirmou que o impacto desses repasses não interfere no volume de empréstimos. ''Um aumento ou queda dos juros para 19% ou para 15% não mexe no valor das prestações'', disse Ferreira, prevendo que o mercado continuará aquecido nos próximos meses. ''O que eu consigo enxergar é um céu de brigadeiro'', emendou, admitindo a chance de riscos externos.


