Arquivo FolhaEfeito imediatoRizzieri: ‘‘O imposto deverá ser repassado, dependendo do setor’’Não há consenso sobre o impacto da CPMF nos preços de produtos e serviços. Para o presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Juarez Rizzieri, o novo tributo irá ser repassado. ‘‘O limite pode chegar até a 0,20%’’, diz. No entanto, a concorrência pode frear a alta. É que, para garantir clientes, é possível que o empresário pague a despesa.
José Maurício Soares, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), acredita que há fatores mais fortes do que a CPMF capazes de segurar a inflação. ‘‘A cesta básica está estável em R$ 109,00’’, diz. Mesmo assim, ele prevê que a inflação em janeiro deverá ser um pouco mais alta, por conta do reajuste dos combustíveis e das mensalidades escolares.
O gerente de impostos da KPMG, Fernando Soares, acredita em ajuste. ‘‘É que, com a estabilidade econômica, os lucros já foram diminuídos e pode ficar difícil arcar com o tributo’’, diz.
A verdade é que o novo tributo significa mais um encargo para as empresas. O imposto vai onerar ainda mais a produção e reduzir a competitividade das empresas diante da concorrência externa. O empresário deverá ficar atento para algumas operações, como pagamentos a terceiros, aplicações e empréstimos
Se o novo imposto afetará o bolso de todos os brasileiros que fizerem qualquer movimentação financeira durante os próximos 13 meses, imagine o efeito que terá no caixa de uma empresa, pelo qual passam somas expressivas. Nele, a incidência do tributo será em cascata, sobre toda a cadeia produtiva.
Não tendo como escapar totalmente da CPMF, a saída para as empresas é aprender o quanto antes a lidar com mais esse imposto, para atenuar os prejuízos. A idéia é evitar sempre que possível operações que possam ser alcançadas pelo 0,20% do novo imposto.
É aí que deverá entrar em cena aquele velho malabarismo utilizado pelos departamentos financeiros durante o período inflacionário e dos frequentes pacotes econômicos.

Empresas vão
ter que fazer
‘malabarismo’ e
reduzir custos


De acordo com o presidente da Pactum, Ivar Piazzeta, este é o momento de fazer um rígido planejamento financeiro nas empresas. Como a CPMF incidirá sobre cada saque e transferência entre contas diferentes, é imprescindível para uma empresa que possui mais de uma sede racionalizar suas operações, centralizando cobranças e pagamentos em uma delas.
Segundo ele, a partir da cobrança do tributo, o empresário deverá ficar atento a algumas operações, como pagamentos a terceiros, aplicações e empréstimos. No caso dos empréstimos entre empresas, Piazzeta recomenda que os empresários procurem sempre efetuá-los com duplicatas ou títulos. Quanto ao pagamento de terceiros, como fornecedores, a opção é fazê-los por meio de cessão de crédito. Nesse caso, o comprador transfere uma duplicata de terceiros ou faz um instrumento particular de cessão, fugindo, assim, da movimentação em contas correntes e da CPMF. Outra opção é repassar cheques de terceiros. Convém lembrar que só poderá haver um endosso nos cheques.
Por último, o presidente da Pactum indica trabalhar com apenas um banco ou com poucos, sempre buscando aqueles que ofereçam o ressarcimento da CPMF ou melhores rendimentos para compensá-la.

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