O número de empresas que estão adotando sistemas diferenciados de remuneração de seus funcionários com base em avaliação de competências e habilidades subiu de 15% em 2002 para 24% este ano. Os dados são de uma pesquisa realizada pela consultora paulistana Deloitte, com base em informações cedidas por 81 empresas multinacionais e nacionais, públicas, mistas e privadas que, juntas, empregam 450 mil funcionários e faturam mais de R$ 200 bilhões anuais.
Do universo de empresas utilizadas como parâmetro para a pesquisa, 11% eram do Paraná. ''O estudo mostrou que as empresas estão mudando a forma de remunerar seus funcionários, adotando com maior frequência o conceito de remuneração por habilidades'', explica o gerente de consultoria da Deloitte, Fábio Mandarano.
A escolha das empresas acontece em detrimento do método tradicional de remuneração por cargos e busca, segundo Mandarano, a valorização do capital humano. ''Empregados com funções mais amplas e domínio de todos os processos produtivos são mais valorizados dessa forma'', diz o gerente. Mandarano afirma ainda que dessa maneira, a evolução de funcionários dentro das empresas acontece de forma mais justa, agregando responsabilidade e competência.
De acordo com a pesquisa, os segmentos com maior receptividade aos sistemas diferenciados de remuneração são os de energia, metalurgia, eletrônica, químico e de serviços. No entanto, 61% das empresas consultadas pretendem rever seus conceitos de remuneração, implantando novas formas de pagamento, baseadas em valorização de habilidades e competências. ''A participação do sistema diferenciado ainda é pequena mas cresce gradativamente'', diz Mandarano.
Segundo o gerente da Deloitte, Curitiba concentra grande número de empresas que já adotam sistemas diferenciados de remuneração, ou pelo menos, sistemas mistos, que conjugam pagamento por cargos com avaliação de competências. A pequena participação em âmbito nacional desse sistema mostra que, aparentemente, essa é uma tendência consolidada somente nas capitais do País, como acredita a psicóloga da Capital Humano, agência londrinense de recursos humanos, Jenifer Ligmanowski. ''Londrina, ao que me parece, ainda não adquiriu a cultura de valorização de capital humano'', conta.
De acordo com Jenifer, somente multinacionais e bancos iniciaram em Londrina processos de remuneração por avaliação de competências. Mas, de forma geral, a valorização dos recursos humanos das empresas em Londrina acontece de forma tímida. ''O que as empresas passaram a oferecer recentemente foi o pagamento de 14º salário e participação nos lucros, de acordo com o rendimento e cumprimento de metas de produção'', afirma Jenifer. Mas a mudança também deve se consolidar. ''Processos de seleção estão sendo encomendados com metodologias que valorizam traços de personalidade, como liderança. Afinal, é mais fácil ensinar um funcionário a somar dois mais dois do que ensiná-lo a ser um líder'', ressalta a psicóloga.

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