Uma das exigências para inclusão da lista trace é a rastreabilidade individual de cada animal. A implantação do sistema e a contratação de certificadoras para avaliar as condições da propriedade envolvem custos ao produtor, que busca compensação financeira no preço da arroba. No entanto, a valorização do gado nem sempre é uma realidade encontrada pelo pecuarista no momenro da venda.
O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar, argumenta que o benefício financeiro é fator determinante para que o pecuarista opte pelo sistema de rastreabilidade exigido pela Europa. ''Mas esse preço depende do mercado. Alguns produtores estão contentes com a diferença paga, já em outras regiões, ela não compensa. Mas a lista trace tem aumentado a cada dia, o que mostra que os produtores estão satisfeitos''.
Salazar avalia que a autonomia brasileira sobre a lista trará mais rapidez ao processo de inclusão de novas propriedades. ''Isso demonstra confiança dos europeus em nosso sistema, o que é muito importante para nós'', afirma. Mas ele lembra que isso não significa que fiscais europeus deixem totalmente de fazer verificações por amostragem em algumas fazendas brasileiras. ''A vinda de técnicos da União Europeia ao Brasil não faz sentido, pois o governo brasileiro é encarregado de fiscalizar e deve contar com a confiança dos europeus no controle sanitário'', afirma.
Para o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovino de Corte (ANPBC), José Antônio Fontes, apenas os exportadores recebem benefício com a lista trace, sendo que a vantagem financeira não chega aos pecuaristas. ''Até agora não existe integração ou organização na cadeia para gerar um volume de gado rastreado em grande escala na lista trace. Para os pecuaristas, o incentivo não é estimulante o suficiente'', critica. Atualmente, o Paraná possui 36 propriedades aptas a exportar para a União Europeia. Segundo o veterinário consultor da Scot Consultoria, Hyberville Neto, a variação de preço entre um animal que consta na lista trace e um que não consta varia conforme a oferta, a época e o mercado. ''De um modo geral, essa diferença quase some ao longo do ano, mas pode chegar a até R$ 2 por arroba na média nacional'', revela.(M.F.)

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