Liquidar os contratos da Carteira Hipotecária (CH) da Caixa Econômica Federal (CEF) com desconto de 20% a 25% no saldo devedor, como foi proposto na semana passada pelo governo federal, é um bom negócio para o mutuário. Evidentemente para quem dispõe de recursos para a operação.
Já as condições oferecidas para renegociação da dívida a quem está com as prestações em atraso podem não ser tão convidativas quanto a liquidação. Na verdade, não devem resolver os problemas nem aliviar a situação do mutuário, segundo análise do matemático José Dutra Vieira Sobrinho. A Caixa Econômica vai permitir a ampliação de prazo do contrato, mas com adoção de um novo sistema de amortização da dívida, o Sacre, em vez do Sistema Price, utilizado no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e na CH.
Na negociação é possível apenas mudar o sistema de amortização sem esticar o prazo. Mas quem fizer essa opção terá um acréscimo de 30% nas 12 primeiras prestações do novo financiamento, em relação ao valor das parcelas atuais em contrato regido pela Tabela Price. Quem optar por aumentar o prazo do financiamento e mudar para o Sacre também poderá ter a prestação inicial um pouco mais elevada que a cobrada num contrato do Sistema Price.
Mas, nesse caso, a partir do quinto ano do contrato, para um financiamento de dez anos, por exemplo, o valor da prestação devida estaria mais baixo que o que seria pago num financiamento pelo Sistema Price. Nesta semana, a Caixa começa a enviar cartas a seus mutuários oferecendo essas novas opções de pagamento.

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