Compartilhar e gerir, palavras de ordem para transportadoras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de julho de 2017
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Curitiba Com o cenário político-econômico desfavorável, ainda mais com a alta de impostos anunciada na semana passada e o desdobramento direto no preço dos combustíveis, a já testada sobrevivência das transportadoras em uma economia encolhida não pode prescindir de uma criteriosa avaliação e otimização dos itens que compõem o chamado custo por quilômetro (CPK).
Imediatamente abaixo do combustível, a despesa com pneus ocupa a segunda ou terceira posição na lista da formação do custo, revezando com gastos de pessoal, e é justamente no bom uso desses recursos que as empresas do setor podem ter um alívio tanto sob o aspecto da manutenção do produto propriamente dito, quanto na economia de combustível.
O assunto foi tratado nesta segunda-feira (24) pela Vipal Borrachas durante o lançamento da plataforma Vipal Resolve, uma rede social voltada aos players do mercado transportador, realizado no auditório do Serviço Social do Transporte (Sest)/Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), em Curitiba. "Com o pneu é possível gastar menos do que o habitual, aumentando a vida útil e reduzindo o CPK", ressalta o gerente nacional de frotas da Vipal, André Nedeffi.
A empresa gaúcha, fundada em 1973, responde por 40% do segmento de reformas de pneus, no qual o Brasil é o segundo maior mercado do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Dados da Associação Brasileira do Segmento de Reformas de Pneus (ABR) já deram conta de 8 milhões de pneus reformados devolvidos ao mercado. No último ano, com o recuo de 10% no volume de cargas transportadas em função da desaceleração da atividade econômica, 7,2 milhões de pneus foram reformados, já que teve muito caminhão parado. "Pensar o pneu como patrimônio da empresa, na rentabilização desse recurso e no que pode ser feito para que a sua depreciação se dê lentamente é a melhor maneira de gerir bem esse recurso", afirma.
Dedo duro
Nedeffi defende que para acompanhar o ciclo de vida do produto é preciso fazer uma análise da sucata, que "é um dedo duro de como se deu o plano de manutenção desse recurso". Outros aspectos da gestão de pneus é ter um plano de manutenção preditiva envolvendo todo o "under truck" (estrutura ao redor do pneu). A baixa pressão da calibragem encurta em 30% a vida útil do pneu, já o desalinhamento, em 33%. Há ainda a necessidade de dedicar atenção ao treinamento de pessoal, motoristas ao gestor de frota, uma vez que a maneira de utilizar o veículo também influencia sobremaneira o desgaste e o consumo de combustível.
Esse esforço é compensado em números. Primeiro, porque nem todo pneu pode ser reformado, depende do estado do material, e isso também impacta no CPK. "O custo do pneu reformado é 40% menor que o novo e graças à tecnologia desenvolvida o material reformado fica igual ou até superior em termos de resistência, durabilidade e segurança. Bem usado, o pneu pode ser reformado até três vezes", atesta o diretor comercial de marketing Guilherme José Rizzotto. Pelos cálculos, ao reformar o pneu uma vez, o CPK do pneu novo é reduzido em 34%; na segunda oportunidade, em 45%, e, na terceira, 51%.
Os fatores que afetam o consumo de combustível
O consumo de combustível é afetado por cinco fatores: a maneira como o motorista conduz, já que ao aumentar a velocidade consome mais; o ambiente (estrada X cidade); a operação (dependendo da carga e o peso dela); o tipo do veículo; e a qualidade do pneu. "Utilizar o tipo de pneu adequado ao uso daquele veículo, o chamado pneu inteligente, e com bandas de rodagens ecoeficientes que vão oferecer menos resistência ao rolamento, acarretam em uma economia direta no consumo de combustível, variando de 3% a 18%", garante o diretor de tecnologia e qualidade da Vipal, Henrique Brito.
O supervisor de manutenção da Auto Viação Redentor, Ricardo Alexandre Magalhães de Abreu, confirma que esse cuidado gera economia de combustível. "Em nosso caso, a economia é de 3%, que em números absolutos representa de R$ 20 mil a
R$ 30 mil por mês que deixamos de gastar com combustível e que alivia o custo da operação", constata. (M.M.)


