Comparação com anos 50 é simbólica, diz técnico
Comparações entre o custo de vida hoje e o da década de 50 são apenas simbólicas, avalia o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP. A situação econômica atual é completamente diferente daquela época, quando a industrialização da cidade apenas começava.
Naquela época a economia paulista dependia basicamente do café, lembra o especialista. A produção de bens duráveis era muito pequena e a estrutura do comércio era completamente diferente da década de 90. O comércio há quase 50 anos, ressalta Carmo, era formado apenas por armazéns e boa parte dos comerciantes ainda trabalhava com cadernetas, onde eram anotadas as compras dos consumidores.
O mercado hoje, compara Carmo, é dominado por grandes supermercados que enfrentam forte competição para garantir suas vendas. Além disso, a composição do custo de vida era completamente diferente. A Fipe pesquisa o custo de vida desde 1939, mas a metodologia usada é muito diferente. No começo, a alimentação tinha um peso menor. Além disso, a pesquisa incluía itens curiosos. Havia um item chamado crise familiar, lembra o economista. Nesse item eram computados gastos com casamento, registros e cartórios.
Para o economista, as comparações entre custos de vida só são tecnicamente possíveis a partir da década de 70. A inflação de países de Primeiro Mundo, na sua opinião, é melhor parâmetro de comparação.





