A Copel consome 98% da energia que produz e praticamente não tem excedentes para fazer intercâmbio com outros Estados, desconsiderando-se os 6,36% referente à sua cota da produção da usina de Itaipu.
Com o sistema interligado e gerenciado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as companhias geradoras brasileiras fazem intercâmbio da produção que ultrapassar a ‘‘energia assegurada’’, que é o limite médio de produção de cada usina a partir da disponibilidade de água.
Como as hidrelétricas dependem dos índices pluviais, o governo federal criou um mecanismo de segurança – o Mercado de Realocação de Energia (MRE) – a fim de evitar que, por falta de chuva, uma determinada região fique a mercê dos preços de outras companhias. Isso significa que uma geradora pode vender energia para quem quiser até a taxa de ‘‘energia assegurada’’. Acima disso, é obrigada a realocar o excedente para outras companhias, com preços subsidiados.
A usina de Foz do Areia, em Pinhão, por exemplo, tem uma capacidade instalada de 1.676 megawatts médios e uma energia assegurada de 577 MW médios. Tudo o que a hidrelétrica produzir acima disso terá que intercambiar com as demais usinas do sistema. ‘‘É um clube de geradoras hidráulicas para assegurar o fornecimento. Por essa realocação, a usina só cobra os custos’’, disse o gerente da superintendência de produção da Copel, Sérgio Luiz Lamy.
A Copel tem 4.548,5 MW (megawatts) de capacidade instalada nas 18 usinas do Estado, que têm uma energia assegurada de 1.997,62 MW. Como hoje os reservatórios paranaenses estão próximos de 80%, e os demais estados brasileiros enfrentam uma série crise energética, a Copel está operando com praticamente toda a sua capacidade instalada.
Sérgio Lamy defende a contribuição da Copel com os demais Estados como positiva para o País. Ele só reclama das perdas do Paraná com o ICMS já que o recolhimento do imposto é feito em cima do consumo e não da geração de energia. ‘‘A taxação deveria ser feita como no caso do petróleo, pela produção. Assim poderíamos aumentar a receita do Estado.’’(C.L.)

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