Companhias investem em ativos no exterior
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sábado, 20 de novembro de 2004
Nilson Brandão Junior<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A quantidade de operações de compra de ativos no exterior por empresas brasileiras vem crescendo progressivamente. Um levantamento da KPMG mostra que desde o início do ano passado já foram realizadas 27 operações deste tipo, a maior parte nas áreas de siderurgia, petróleo, mineração e bebidas. Na prática, as empresas estão investindo para crescer no exterior e faturar em dólar, aumentando a parcela em moeda forte dentro do faturamento geral.
No caso da Gerdau, o peso do faturamento das unidades no exterior já alcança 45,9% do total, fatia que poderá crescer ainda mais com a recente aquisição da americana North Star Steel. As estimativas são de que a North Star deverá agregar US$ 700 milhões (o equivalente a perto de R$ 2 bilhões, no câmbio atual) ao faturamento anual consolidado do grupo.
Já a Votorantim Cimentos estima que até 2007 pelo menos 40% da geração de caixa será em moeda forte, o dobro da média de 20% atual. Na prática, a empresa está analisando oportunidades de negócios no exterior. A empresa quer aumentar presença nos Estados Unidos, mas não descarta outras regiões. Recentemente, o grupo Votorantim assinou carta de intenção para a compra de duas fábricas da mexicana Cemex no mercado americano.
Com a expansão rumo ao exterior, grandes empresas rompem a barreira do crescimento local, aumentam a geração de caixa em moeda forte e reduzem o custo de capital. O sócio da área de finanças corporativas da KPMG Márcio Lutterbach conta que está havendo um crescimento dos negócios de empresas brasileiras no exterior este ano. De janeiro a setembro do ano passado, foram realizadas nove operações deste tipo, total que subiu para 12 este ano.
Lutterbach explica que atuando no exterior as companhias ganham musculatura financeira. ''Além disso, muitas vezes estão tendo exaustão no mercado interno, que já não são suficientes para elas'', comentou.
Apesar do avanço, o sócio da KPMG explica que a presença brasileira no exterior ainda é muito tímida e concentrada em alguns setores que, em comum, têm alcançado elevadas taxas de rentabilidade nos últimos anos.
''É uma nova fase, porém localizada. Temos fragilidades no nosso capitalismo, como a carência de instrumentos de capitalização das empresas, principalmente a falta de um mercado de capitais robusto para que as companhias possam se capitalizar e alçar vôos maiores'', analisa o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antonio Corrêa de Lacerda, citando a falta de políticas públicas de incentivo à internacionalização das empresas.
A Marcopolo, fabricante de carrocerias de ônibus, vem adotando agressiva presença externa, com foco nos mercados comuns internacionais. A empresa já conta com unidades no México, em Portugal e na Colômbia, que garantem presença, respectivamente, nas regiões do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), União Européia e Pacto Andino, além das fábricas da África do Sul e Argentina (com a produção suspensa. O diretor corporativo e de relações com investidores da Marcopolo, Carlos Zignani, explica que 9% da produção já é feita no exterior.


