Companhia francesa investirá no Brasil
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segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - A redução dos subsídios da Europa para a produção de açúcar está fazendo com que investidores franceses apostem no Brasil para conseguir compensar os prejuízos com o fechamento de usinas em seus próprios mercados. A companhia Tereos, uma das maiores produtoras de açúcar da França, com sede em Lille, anunciou que quer atingir a meta de transformar 17 milhões de toneladas de cana em açúcar e etanol até 2010 no Brasil.
O objetivo do grupo seria abastecer tanto o mercado nacional como exportar para a Europa. Para isso, pretende investir cerca de 100 milhões de euros no País. No início do ano, o Brasil conseguiu que a Organização Mundial do Comércio (OMC) condenasse os subsídios ilegais dados pela União Européia ao setor açucareiro.
Com a decisão, um volume importante de subsídios começou a ser retirado e, como consequência, usinas improdutivas acabaram sendo fechadas. Para a Tereos, o caminho natural está sendo compensar essas perdas com investimentos no Brasil e em outros países, como Moçambique.
Na realidade, a companhia francesa está no Brasil desde 2000, quando fechou acordo com a Cosan, maior grupo nacional do setor sucroalcooleiro, e passou a fazer parte do quadro de acionista da empresa, ainda que com uma participação reduzida. A Tereos tem uma fatia de 6,3% do capital da Cosan. O grupo francês também é o controlador da Açúcar Guarani.
Mas desde que os subsídios foram declarados ilegais, o grupo tomou a decisão estratégica de incrementar os investimentos no País. Com o mercado global em expansão e o consumo crescendo em 2 milhões de toneladas de açúcar por ano, a escolha foi apostar ainda mais onde a produção é competitiva, como no Brasil.
Atualmente, os franceses, por meio de sua filial Guarani, já estão entre os oito maiores produtores de açúcar do País, segundo a classificação do site PróCana. Com os novos investimentos, a empresa não nega que quer avançar ainda mais nesse ranking.
Para isso, os franceses adicionarão duas novas usinas às três que já estão em funcionamento. A Guarani deve fechar 2006 com uma produção de 8 milhões de toneladas de açúcar, quase três vezes o volume registrado em 2002 em suas usinas de Cruz Alta, Severinia e São José.
Uma quarta usina estará em operação em agosto de 2007 em Tanabi (SP), em uma aquisição que custou aos franceses R$ 70 milhões. Em sua primeira temporada, deverá produzir 400 mil metros cúbicos de etanol.


