A criação de uma companhia estadual de dragagem para os portos paranaenses, anunciada na semana passada pelo superintendente dos Portos de Paranaguá e Antonina, Eduardo Requião, suscita discussões. Esta companhia teria custos mais elevados em relação a um serviço terceirizado, segundo o assessor técnico-econômico da Faep, Nilson Hanke de Camargo. Também foi anunciada a realização de uma dragagem pontual apenas para o Canal da Galheta - canal de acesso ao porto, que está há um ano e dois meses sem dragagem.
''O governo do Estado está na contramão da modernização da administração do País se fizer isso'', disse Camargo. Ele explica que o custo seria maior porque o governo teria que comprar a draga além de fazer manutenção e ter uma estrutura administrativa e financeira. Segundo ele, a companhia estadual de dragagem teria que se sujeitar a processo de licitação pelo fato de ser uma estatal.
Isso significa que, se uma outra empresa de dragagem apresentar preço menor que a companhia paranaense, ganharia a licitação para prestar o serviço. ''É um retrocesso inventar uma companhia estadual de dragagem'', disse o presidente da ABTP, Wilen Manteli. Ele também acredita que a companhia teria custos mais caros.
O oceanólogo e professor do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná, Fabian Sá, explica que a falta de dragagem acarreta na diminuição do calado do canal. O material vai sendo depositado no fundo do mar, o que torna o calado cada vez mais raso. Assim, navios maiores ficam impedidos de entrar no porto.
Sá disse que para realizar a dragagem é necessário um estudo de contaminação dos sedimentos, exigência da resolução 344 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Ele contou que três terminais privados de Paranaguá e Antonina foram os responsáveis por agilizar esta análise para obter a licença ambiental que permite realizar a dragagem.
O presidente dos Terminais Ponta do Félix, Juarez Moraes e Silva, disse que os terminais entraram com recursos de R$ 363 mil para que a UFPR faça um estudo completo de impactos ambientais nas baías de Paranaguá e Antonina a respeito de contaminantes, impacto de flora e fauna, toxicidade e tipos de sedimentos. ''Fizemos isso para ganhar tempo porque a Appa teria que fazer uma licitação para pedir o estudo. Os terminais privados precisam da dragagem. O que fizemos foi agilizar o processo'', explicou. O estudo completo deve estar concluído em novembro.
Sá esclareceu que ao fazer a dragagem, os sedimentos são retirados do fundo do mar e colocados em contato com a água. Esse processo pode provocar a liberação de poluentes que podem ser assimilados pela biota (todos os organismos vivos). ''A coleta de contaminantes é importante antes, durante e após a dragagem'', disse. Segundo ele, os portos de Santos e de Rio Grande são os únicos que fazem monitoramento contínuo dos contaminantes.

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