Curitiba - A Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar) vem lutando para sair do prejuízo de R$ 72 milhões acumulados nos últimos 15 anos, mas continua trabalhando no vermelho. O balanço da empresa publicado na semana, referente ao ano passado, indica que a empresa teve prejuízo de R$ 4 milhões em 2002 e R$ 3,31 milhões, em 2003.
Como a Codapar é uma empresa de economia mista, depende da continuidade de financiamentos para continuar operando ou da integralização de capital por parte do acionista majoritário, que é o governo do Paraná, informou José Rubens Cafareli, inspetor da 3inspetoria do Tribunal de Contas (TC), responsável pela fiscalização da empresa.
Para o diretor de Administração e Finanças da Codapar, Sidney Pinheiro Gonçalves, a empresa sobrevive com o ''suor de seu rosto'' há muito tempo e vem se esforçando para reduzir os resultados negativos. Segundo ele, a diretoria da Codapar aposta na política traçada pelo vice-governador e secretário da Agricultura e do Abastecimento, Orlando Pessuti, que optou em apoiar a empresa, que está buscando uma ''visão mais empresarial embora focada no interesse público''.
Para reverter os prejuízos, a diretoria da empresa quer ampliar os serviços de armazenagem e de mecanização no meio rural, como forma de conseguir mais receita e manter sua estrutura. Também está administrando operacionalmente o Programa Paraná 12 Meses, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.
Sobre o prejuízo de R$ 72 milhões, Gonçalves salientou que ele é mais contábil do que operacional. Segundo ele, esse rombo leva em conta a depreciação do patrimônio tanto em imóveis como equipamentos, que não foram renovados em decorrência dos poucos investimentos dos últimos anos.
De acordo com o diretor administrativo, os prejuízos operacionais dos últimos dois anos vem contabilizando dívidas que a empresa repactou como o pagamento de impostos e provisões para cumprimento de ações trabalhistas. Só com o Refis, o programa de refinanciamento de impostos do governo federal, a empresa está arcando com um custo de R$ 164 mil por ano, além de uma provisão de R$ 1,5 milhão para pagamento só de correção monetária e juros.
A empresa também arcou com despesas para provisão de cumprimento de acordos trabalhistas não realizados nos últimos dois anos. Os processos estão sub judice, mas independente do desfecho das ações, a Codapar teve que fazer uma provisão de aproximadamente R$ 1,2 milhão. ''Se não houvesse nenhuma dessas pendências, a empresa apresentaria lucro de R$ 1,033 milhão, que foi o resultado operacional positivo apresentado em 2003'', resumiu Gonçalves.
A receita bruta da empresa se manteve em R$ 11,4 milhões nos últimos dois anos. Para reduzir o prejuízo em cerca de R$ 700 mil, a Codapar cortou praticamente na carne. As despesas de custeio que somaram R$ 16,86 milhões em 2002 foram reduzidas para R$ 7,56 milhões em 2003. Ao mesmo tempo, a receita com serviços aumentou em R$ 7,2 milhões
Agora, a empresa quer reativar a atual estrutura de 14 armazéns com capacidade para estocar 330 mil toneladas de produtos entre grãos e frios (maçã, batata e sementes), oferecendo mais serviços aos agricultores. A atual diretoria investiu na renovação de equipamentos e já está prestando serviços como adequação de estradas rurais. Atualmente está readequando 250 quilômetros de estradas, sendo que 70 deles já estão concluídos.

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