Curitiba A Companhia Paranaense de Gás (Compagas) vai racionar em 9,3% o fornecimento de gás natural no Paraná. A medida adotada pela concessionária paranaense foi necessária devido ao rompimento de um duto operado pela Petrobras na Bolívia no dia 2 de abril. O racionamento deve entrar em vigor à zero hora da próxima quinta-feira.
Entre as medidas que a Compagas vai adotar estão a suspensão do fornecimento de gás para duas indústrias da Região Metropolitana de Curitiba. O presidente da Compagas, Luiz Carlos Meinert, disse que estes dois clientes têm como utilizar óleo combustível e GLP (gás de cozinha) que vão funcionar como combustíveis alternativos. O nome das empresas não foi revelado pela Compagas porque elas pediram sigilo.
''Vamos monitorar o assunto diariamente'', disse Meinert. Os dois clientes consomem 90 mil metros cúbicos de gás por dia. Segundo ele, o ressarcimento a estes dois consumidores ainda está sendo avaliado juridicamente. Meinert informou ainda que os outros clientes industriais não poderão consumir mais que o volume médio diário que utilizaram em março. Com isso, a Compagas não terá que mexer no fornecimento de gás para os clientes residenciais, comerciais e de gás natural veicular.
A Compagas fornece 764.522 metros cúbicos de gás por dia, sendo 89,06% deste total para o segmento industrial, 0,13% para o residencial, 0,55% para o comercial e 10,27% para o veicular. A empresa opera no Paraná desde 2000 e tem como acionistas a Copel (51%), a Petrobras (24,5%) e a Gaspart (24,5%).
Inicialmente, a redução poderia chegar a 12%, mas ontem de manhã a Compagas recebeu uma mensagem do Ministério de Minas e Energia de que a redução para as concessionárias estaduais seria de 9,3% porque o governo federal conseguiu uma economia maior nas termelétricas e nas refinarias. O Ministério informou que não houve a queda de produção e o fornecimento diário ficou em 21 milhões de metros cúbicos.
Assunto sério - O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, disse que a questão do gás é seríssima. ''Dependemos de um só ramal'', declarou. Para ele, falta uma estratégia nacional para tratar do assunto que também requer investimentos.
Loures disse que a previsão é que o quadro se agrave. ''Essa crise que surgiu agora é só um sinal'', destacou.
O presidente Sindilouça-PR, José Canisso, disse que as indústrias de louça não podem reduzir o consumo de gás natural porque não têm como desligar os fornos.
Hoje oito indústrias do setor no Estado são abastecidas pela Compagas com 80 mil metros cúbicos por dia. O sindicato representa 36 indústrias. Só a Incepa consome 50 mil metros cúbicos de gás. As empresas do setor produzem 10 milhões a 15 milhõs de peças por dia de porcelana e cerâmica e empregam 6 mil funcionários. ''Estamos temerosos em relação ao racionamento'', disse.
O presidente da Associação das Centrais de Rádio Táxis de Curitiba, Edson Fernandes, defende que os taxistas sejam protegidos do racionamento porque prestam serviço para a população. De acordo com ele, a Capital tem oito rádio-táxis com uma frota de 1.400 veículos, sendo que 60% deles utilizam gás natural veicular.
O vice-presidente de administração de condomínios do Sindicato da Habitação do Paraná (Secovi-PR), Otávio Lopes Filho, disse que os condomínios temem que haja racionamento para o segmento residencial.
História - O excesso de chuvas, no dia 2 de abril, foi responsável pelo rompimento de um duto que transportava gás natural da Bolívia. Com isso, o volume de gás que vem para o Brasil foi reduzido de 27 milhões de metros cúbicos para 21 milhões.

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